segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mãe é a principal influência nos hábitos de leitura

Leitura
Mãe é principal influência
PublishNews - 17/12/2009 - Por Redação

A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” ainda constatou que a influência da mãe (ou responsável mulher pela família) nos hábitos de leitura é preponderante: 73% das crianças citam as mães como maior influenciadora. Na resposta estimulada em que se podia escolher duas alternativas, a figura da mãe alcançou 49%, seguida pela da professora, com 33%; do pai com 30%; outro parente com 14%; amigo com 8%; padre, pastor ou líder religioso com 5%; colega ou superior no trabalho com 2%, outros com 3% e ninguém como influenciador de sua leitura, 14%. Apenas 1% disse não saber ou não opinou. A pesquisa mostrou também que a família pode, inversamente, influir na formação de não leitores, quando os membros da família não oferecem o exemplo de ler ou não detém a posse de livros.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A Mulher na Janela (Amós Oz)

Amós Oz é um grande escritor israelense, membro da Academia de Letras Hebraicas. Foi pré-candidato ao Prêmio Nobel de Literatura e contemplado com o Prêmio Príncipe das Astúrias de Letras. Abaixo, o belo discurso de agradecimento por este prêmio, onde a Literatura aparece como um poderoso instrumento de compreensão mútua entre os povos.

Discurso de AMÓS OZ ao receber o Prêmio Príncipe das Astúrias de Letras em 26/10/2007. Traduzido por Moisés Storch para o PAZ AGORA/BR

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A Mulher na Janela
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Senhoras e senhores,

Vim de Jerusalém para lhes falar de paz. Permitam que lhes fale no idioma da Bíblia.

Se adquirir uma passagem e viajar a outro país, é possível que você veja as montanhas, os palácios e as praças, os museus, as paisagens e os locais históricos. Se a fortuna lhe sorrir, talvez tenha a oportunidade de conversar com alguns habitantes do lugar. E voltará para casa carregado com um monte de fotografias e postais.

Mas, se lê um romance, adquire uma entrada para os recantos mais secretos de outro país e de outro povo. A leitura de um romance é um convite a visitar as casas de outras pessoas e a conhecer seus cantos mais íntimos.

Se não for mais do que um turista, talvez tenha a oportunidade de se deter em uma rua, observar uma velha casa do bairro antigo da cidade e ver uma mulher debruçada à janela. E, então, dará a volta e seguirá o seu caminho.

Mas, como leitor, observa não só a mulher que olha pela janela. Está com ela dentro da sua casa, e até dentro da sua cabeça.

Quando lê um romance de outro país, você é convidado a passar à sala de outras pessoas, ao quarto das crianças, à cozinha, e mesmo ao dormitório. É convidado a entrar em suas dores secretas, em suas alegrias familiares, em seus sonhos.

Parte da tragédia árabe-judia está na incapacidade de muitos de nós, judeus e árabes, de nos imaginarmos uns aos outros. De imaginar realmente os amores, os medos terríveis, a ira, os instintos. Demasiada hostilidade impera entre nós, e demasiadamente pouca curiosidade.
Os judeus e os árabes têm algo em comum: ambos sofreram no passado sob a pesada e violenta mão da Europa. Os árabes foram vítimas do imperialismo, do colonialismo, da exploração e da humilhação. Os judeus foram vítimas de perseguições, discriminação, expulsões e, ao final, do assassinato de um terço do povo judeu.

Caberia supor que duas vítimas e, sobretudo, duas vítimas de um mesmo perseguidor, desenvolveriam certa solidariedade entre si. Desgraçadamente as coisas não são assim, nem nos romances nem na vida real. Ao contrário, alguns dos conflitos mais terríveis são aqueles que se produzem entre duas vítimas de um mesmo perseguidor. Os dois filhos de um pai violento não têm necessariamente razão para se amar. Com freqüência, vêem refletida um no outro a imagem do progenitor cruel.

Exatamente assim é a situação entre judeus e árabes no Oriente Médio: enquanto os árabes vêem os israelenses como novos cruzados, a nova reencarnação da Europa colonialista, muitos israelenses vêem nos árabes a nova personificação dos nossos perseguidores do passado: os responsáveis pelos pogroms e os nazistas.
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Conhecer a outra mulher
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Esta realidade impõe à Europa uma responsabilidade especial na solução do conflito árabe-israelense: no lugar de alçar um dedo acusador na direção de uma ou outra das partes, os europeus deveriam mostrar afeto e compreensão e prestar ajuda a ambas as partes. Vocês não têm razão para continuar elegendo entre ser pró-israelenses ou pró-palestinos. Devem estar a favor da paz. A mulher da janela pode ser uma mulher palestina de Nablus e pode ser uma mulher israelense de Tel Aviv. Se desejarem ajudar a que haja paz entre as duas mulheres das duas janelas, é conveniente ler mais sobre elas. Leiam romances, queridos amigos, aprenderão muito.

As coisas iriam melhor se também cada uma dessas duas mulheres lesse sobre a outra. Para saber, ao menos, o que faz com que a mulher da outra janela tenha medo ou esteja furiosa, e o que lhe dá esperança.

Não vim nesta tarde dizer-lhes que ler livros vá mudar o mundo. O que sugeri é que creio que ler livros é um dos melhores modos de compreender que, definitivamente, todas as mulheres, de todas as janelas, necessitam urgentemente da paz.Quero agradecer aos membros do júri do Prêmio Príncipe de Astúrias que me outorgaram este maravilhoso prêmio. Muito obrigado e meus melhores desejos a todos vocês.

Shalom Uvrachá. Paz para todos.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O déficit cultural brasileiro, segundo o IPEA

Presidente do Ipea alerta para importância de se investir em cultura
Marli Moreira - Agência Brasil - 15/12/2009
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Se o Brasil quiser passar da nona para a quinta posição no ranking mundial das maiores economias do mundo, terá de vencer com alguns “gargalos” nos investimentos públicos nas três esferas de governo - municipal, estadual e federal - principalmente nas áreas de educação e cultura. O alerta foi feito na terça (15) pelo economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Pochmann fez a avaliação com base nos dados do estudo do Ipea Presença do Estado no Brasil: Federação, Suas Unidades e Municipalidades. A pesquisa, inédita, mostra a estrutura física do Estado brasileiro e a incidência de seus serviços.

Cursos universitários públicos, por exemplo, só estão disponíveis em 157 dos 5.562 municípios brasileiros, o equivalente a 2,8% do total de cidades. A maior parte (46%) concentra-se na Região Sudeste.

O ensino médio ainda não está universalizado. A pesquisa constatou que 46 cidades não têm estabelecimento público de ensino médio, em oito estados, sendo os cinco com maior número de municípios sem esse serviço: Minas Gerais (16), Rio Grande do Sul (12), Alagoas (dez), Tocantins (dois) e Pernambuco (dois).

Quanto aos investimentos culturais, a pesquisa mostra que em 2.953 municípios não há estabelecimentos públicos nesse segmento, quer sejam museus, casas de cultura ou de espetáculos. Desse total, 37% estão no Nordeste.

Apenas 905 cidades têm museus ou salas de espetáculo, o que significa 16,3% do total. O levantamento indica ainda que 44,7% dos brasileiros, em metade do território, não têm nenhum acesso a equipamentos de cultura. Também foi detectada uma baixa oferta de bibliotecas. Na média, existe uma biblioteca a cada 26,7 mil brasileiros.Para Pochmann, a área do conhecimento é imprescindível para as metas de crescimento econômico do Brasil. Na sua avaliação, a ausência do aprimoramento do ensino pode comprometer a oferta futura de mão de obra qualificada.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Tudo Aconteceu na Biblioteca *



Era meu primeiro dia
na biblioteca daquela cidade.
Uma linda biblioteca,
cheia de muitos livros novos e usados,
cadeiras confortáveis também,
mesas redondas bem bonitas,
ali combinava bem.
Computadores e um povo que atende bem,
Pois o bibliotecário
foi logo me dizendo:
no que posso lhe servir?
Eu olhei de um jeito esperto
lhe falo pra ser sincero/
Quero ler o livro O poeta do povo
Vida e Obra de Patativa do Assaré
do autor Assis Ângelo.
Ele logo me atendeu
e agora aqui estou eu
lendo com satisfação
o poeta do Sertão Nordestino
que merece desde cedinho
tornar disciplina na Grade Curricular
nas escolas do Ceará .

No dia seguinte bem cedo
Em mais uma pesquisa a realizar
procurei o mesmo cidadão
pro livro me emprestar
Mas para minha tristeza
o livro ali na estante não está ,
Ele foi logo me dizendo
isso é o povo que esconde
pra ninguém poder pegar
De repente lhe respondi:
_ Que isso é covardia
com o pesquisador também.

Fui pra casa matutando:
um dia sem leitura
é um atraso para danar.
Mas ao chegar no dia seguinte
o livro pude encontrar,
passei o dia inteirinho ,
mas não pude concluir a pesquisa espetacular
pois a biblioteca tinha que fechar.
Daí imaginei , isso é de danar.
Tenho que da covardia usar,
colocar o livro em outra estante,
pra ninguém encontrar.
E no dia seguinte bem cedo,
a pesquisa completar.
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* Maria Laudecy Ferreira, psicopedagoga, atua nas redes pública e privada no Estado do Ceará. Autora da Coleção Aprender Fazendo - livros didáticos e paradidáticos adotados em território nacional -, do qual o texto acima faz parte. Contribuição enviada por e-mail. ecoleitura@gmail.com
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Prazer de ler e escrever em grupo

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Acredito que para desenvolver o interesse das crianças e adolescentes pela leitura e escrita, o (a) educador (a) tem que transmitir sua paixão pela literatura e a escrita, contagiando-nos.

Nesse ano de 2009, desenvolvi um Projeto piloto: O Prazer de ler e escrever em grupo, com o objetivo de instigar e desenvolver o gosto pela leitura e escrita, proporcionar a troca de experiência entre os alunos dentro do contexto literário e social e construir uma relação humana entre todos os envolvidos.

Através do Projeto O Prazer de ler e escrever em grupo, comprovei que essa mobilização literária é possível, que os alunos e as alunas se interessam e se sentem atraídos pela literatura, quando é incentivado e apresentado o mundo literário de maneira dinâmica, criativa e os provoque no desenvolvimento da escrita individual e coletiva.

Também constatei um dado negativo: hoje temos muito acesso a informação, conhecimento científico e obras literárias riquíssimas, porém poucos estudantes leitores, que, em alguns casos (em relação às crianças e os adolescentes) não sabem interpretar, compreender e fazer uma análise crítica dos textos.

Acredito que nesse trabalho foram semeados novos leitores e quem sabe futuro escritores literários.

Sendo assim, deixo a minha esperança que podemos contagiar novos leitores e escritores da nossa nova história do Brasil da literatura.
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(Flaviana R. Bezerra, professora da Rede Estadual de Ensino em Natal, RN. Contribuição enviada por e-mail)