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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

E-books podem estimular mais crianças a ler, aponta estudo

FOLHA.com - 30/09/2010

O tempo que as crianças passam lendo livros por diversão diminui conforme elas utilizam celulares e outros aparelhos de tecnologia móvel, mas os e-books (livros digitais) podem trazê-las de volta à literatura, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira.

O estudo, conduzido pelo grupo de mídia e educação Scholastic e pela empresa de consultoria em pesquisa e marketing Harrison Group, também concluiu que os pais estão preocupados que o maior acesso à tecnologia pode limitar o tempo de leitura ou com a família.

Cerca de 40% dos pais acreditam que o tempo que as crianças permanecem online ou utilizando dispositivos móveis reduziria o período gasto com livros ou atividades físicas. Trinta e três por cento mostraram receio de que a tecnologia leve as crianças a passar menos tempo com a família.
Porém, o estudo também descobriu que a tecnologia pode na verdade estimular uma criança a ler. Das crianças pesquisadas, 57% disseram que ficariam interessadas em ler no e-book.

Cerca de um terço das crianças disseram que leriam mais livros por prazer caso os e-books estivessem a seu alcance. Mas 66% afirmaram que continuariam a ler livros impressos mesmo com uma maior disponibilidade do e-book.

Francie Alexander, vice-presidente acadêmica da Scholastic, afirmou em comunicado que os resultados do estudo mostram que os e-books podem ter um importante papel educacional.
"Se pudermos pegar um terço de todas as crianças, muitas delas leitoras forçadas, para que gastem mais tempo lendo por prazer nos e-books, esse tempo adicional gasto construindo fluência e vocabulário não só as ajudaria a se tornarem mais proficientes na leitura, mas também as auxiliaria a acompanhar textos mais complexos que elas encontrarão no ensino médio e na universidade", disse ela.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Incentivo à leitura leva a um aumento na média de Língua Portuguesa

Diário do Noroeste / Instituto Brasil Leitor - 22/09/2010

Via Blog do Galeno

No Paraná, as escolas da rede pública estadual vêm apresentando, ao longo dos anos, uma elevação qualitativa no ensino da Língua Portuguesa. Analisando as médias de desempenho da 8ª série do ensino fundamental na Prova Brasil, observou-se que em 85% das escolas houve aumento da média nessa matéria. O desempenho em Língua Portuguesa na Prova Brasil é um dos indicadores que compõem o IDEB e um dos responsáveis pelo crescimento do índice conseguido pelo Paraná de 2005 a 2009.

Para a secretária de Educação do Paraná, Yvelise Arco-Verde, as ações desenvolvidas pela Secretaria de Estado da Educação (SEED), por meio do Departamento da Educação Básica (Deb), determinantes para essa evolução. “Os excelentes resultados que as escolas vêm apresentando, especificamente em Língua Portuguesa e, num plano geral, em todos os indicadores do IDEB, refletem o intenso trabalho que está sendo realizado e, é claro, nos gratifica”, explica.

Yvelise entende que as ações da SEED têm obtido sucesso, mas lembra que está na comunidade escolar a força para erguer a qualidade do ensino. “O esforço do governo tem sido incansável, mas, sem desmerecer o que temos feito, é o comprometimento dos alunos, dos professores, dos funcionários e a participação dos pais na escola que são fundamentais para a melhoria da qualidade de ensino. Isso significa que o resultado do Ideb mostra que conseguimos avançar na educação graças às políticas públicas, e a participação ativa da comunidade de cada escola no processo de ensino-aprendizagem”, afirma.

Incentivo à leitura

Luiz Carlos Felipe, é especialista em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Desde 2005, é convidado pelo Deb/SEED para dar palestras a professores e agentes das bibliotecas escolares das escolas da rede estadual no Centro de Formação Continuada de Faxinal do Céu, município de Pinhão.

O principal objetivo das palestras é fazer com que o acervo literário das bibliotecas escolares seja utilizado pelos alunos, não somente como fonte de estudos, mas também como lazer. E, segundo Felipe, também é importante que toda a comunidade escolar tenha livre acesso às obras literárias. “O que se pretende é colocar os professores e agentes das bibliotecas próximos ao que há de mais moderno no campo da abordagem da literatura”, explica.

Para motivar os estudantes a ler, ele sugere a realização de trabalhos diferenciados, como oficinas de contos, valorizando o papel de mediação do professor para que o aluno chegue ao livro de literatura. “É importante que haja procedimentos interessantes para atrair o leitor, como rodas de leitura, contação de histórias, filmes e música, tudo isso aliado a uma melhor exposição dos livros na biblioteca escolar para, efetivamente, democratizar o acesso à leitura”, diz. O importante, segundo ele, é não fazer da biblioteca escolar um espaço de punição ou castigo, mas de atividades para que o aluno possa frequentar, ouvir ou contar histórias.

Felipe comenta que a formação dos professores interfere na maneira de utilizar o livro como um recurso pedagógico. “Muitos não sabem como tornar a leitura uma atividade pedagógica, como analisar uma obra e sentem insegurança de como avaliar”, avalia. Os professores também devem estar atentos na formação individual do estudante, porque, segundo ele, pode ocorrer do aluno não estar preparado para a leitura de determinado livro. “A intenção da leitura da obra deve ser considerada, é preciso saber por que os estudantes estão lendo a obra, se para dramatização, para apresentação em aula ou para o vestibular”, explica.

O especialista lembra que existem três eixos que orientam as aulas de Língua Portuguesa, presentes nas Diretrizes Curriculares da Educação Básica (DCE): oralidade, leitura e escrita. “O livro pode gerar ações para estes três eixos, privilegiando o debate, seduzindo o leitor ao relacionar literatura e realidade”, define. Para ele, uma possibilidade de bom aproveitamento da leitura é a apresentação de relações entre o livro e tudo aquilo a que o aluno está exposto no seu cotidiano, tentar um caminho de entrada para questões éticas, sociais, de gênero, de etnia etc. “Enfim, é usar a leitura como viés de discussão e de reflexão, provocando o aluno a entendê-la dessa forma”, diz.

O incentivo à leitura não é papel apenas dos professores de Língua Portuguesa, mas de todas as disciplinas, define Felipe. “Um bom leitor tem condições, se bem trabalhado, de se interessar por outras vias de conhecimento, cabe ao professor de cada disciplina trabalhar isso”. Ele ainda explica que o acesso a novas leituras depende da autonomia que o aluno acaba desenvolvendo. “A boa literatura não oferece respostas, mas leva a questionamentos. O aluno vai a outras obras, o aluno pratica a leitura na busca pelas respostas”, conclui.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Biblioteca comunitária perto da escola melhora desempenho do aluno, diz pesquisa

Estudo feito por pesquisadores do Ipea concluiu que taxa de abandono caiu pela metade e aprovação subiu

Carolina Stanisci - Estadão.edu 31 de agosto de 2010

Pesquisa divulgada na última terça-feira concluiu que o rendimento de alunos de escolas no entorno de bibliotecas comunitárias é maior do que a média. O impacto da leitura na vida dos estudantes repercutiu tanto na taxa de abandono, que diminiu, como na aprovação, que aumentou.

O estudo, encomendado pela ONG Ecofuturo a pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), analisou 41 bibliotecas localizadas nos estados da Bahia e Pernambuco participantes do projeto Ler é Preciso, tocado pela organização não governamental.
Além de indicadores físicos da biblioteca (infraestrutura, conservação das publicações, entre outros), a pesquisa se debruçou, em uma segunda fase, sobre o impacto na vida dos estudantes. E foi onde descobriu números reveladores: entre 2000 e 2005, a taxa de abandono dos alunos diminuiu drasticamente, de 17,1% para 8,8%. Já a taxa de aprovação aumentou de 66,% para 72,7%.

Para Christine Castilho Fontelles, diretora de educação e cultura da Ecofuturo, a pesquisa foi fundamental para saber se as bibliotecas, equipadas com acervos novos de literatura infantil e juvenil pela ONG, estavam sendo bem cuidadas. "A gente queria saber se estava formando o leitor", conta. "Há uma parceria com poder público, mas não existe cultura de biblioteca, então é importante que a gente interaja criando modelo de excelência."

O pesquisador do Ipea Ricardo Paes de Barros ficou impressionado com os resultados. Para ele, que usou como comparativo escolas sem bibliotecas comunitárias próximas, chama a atenção o fato de as bibliotecas serem para a comunidade, e não exclusivas para a escola. "Fora do entorno têm redução metade disso", disse. "São resultados importantes para analisar, já que o Brasil está investindo bem mais em bibliotecas públicas."

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Leitura e aprendizado - Frei Betto

CORREIO BRAZILIENSE - 20/08/2010


No Brasil se lê, em média, 1,3 livro por ano. Nos EUA, 11; na França, 7; e na Argentina, 3,2. E há em nosso país 2.980 livrarias, uma para cada 64 mil habitantes. A Unesco considera razoável uma livraria para cada 10 mil habitantes.

O Ministério da Cultura garante que até o fim do governo Lula serão inauguradas bibliotecas públicas em 2 mil municípios. Tenho minhas dúvidas. O prazo para captar recursos do governo federal destinados à revitalização de bibliotecas públicas se encerrou em meados de julho. Apenas 300 dividirão os R$ 30,6 milhões liberados.

O que significa que cada município, com apenas R$ 102 mil, deverá modernizar instalações, atualizar o acervo, melhorar o acesso de leitores portadores de deficiências e ainda criar bibliotecas ramais (em distritos, bairros da periferia e zona rural). Também duvido, a menos que as prefeituras descubram como multiplicar dinheiro e capacitação de pessoal.

Há, em todo o país, 4.763 bibliotecas. Uma para cada 33 mil habitantes. Na Argentina há 1 para cada 17 mil. Em 420 cidades brasileiras não existem bibliotecas ou se encontram fechadas. As nossas emprestam, em média, apenas 296 livros por dia, o que é muito pouco. E só 29% delas têm acesso à internet. Os dados são do Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, realizado pela Fundação Getulio Vargas a pedido do Ministério da Cultura.

Pesquisa do Observatório do Livro revela que o alto preço é, para 67% dos leitores, a principal razão de se recorrer à copia xerox de um exemplar, embora isso seja proibido por lei. Outros 20% justificam a ilegalidade por não encontrarem o título nas livrarias. E 13% alegam que, nas faculdades, é mais fácil xerocar do que procurar o livro a ser emprestado ou comprado.

Segundo a Unesco, o Brasil tem 13,8 milhões de analfabetos. Sem contar os analfabetos funcionais, um universo que engloba 54% da população entre 15 e 64 anos que cursaram até a 4ª série e, no entanto, não são capazes de compreender textos longos e muito menos redigir uma carta sem graves erros de concordância e sintaxe.

Nos EUA, pesquisa das universidades de Nevada e da Califórnia constatou que quanto mais livros há numa casa, mais anos de escolaridade atingirão as crianças que a habitam. O nível cultural e de escolaridade dos pais também influencia, porém menos que a disponibilidade de livros no lar. Além de serem úteis no aprendizado escolar, ampliam o vocabulário e a imaginação, o conhecimento de história e geografia e a capacidade de refletir e argumentar.

Hoje se recomenda a leitura de histórias infantis desde a primeira semana de vida do bebê. Ainda que se tenha a impressão de total desinteresse da parte dele, na verdade isso o ajuda a aprimorar as sinapses cerebrais, ou seja, a conexão entre os 100 bilhões de neurônios do cérebro. O que é meio caminho andado para que, na idade da razão, ele seja mais capaz de construir sínteses cognitivas, sabendo relacionar as partes com o todo e fragmentar o todo em suas partes constituintes.

Não basta apenas ler a história. É preciso interagir com a criança: mostrar figuras, fazer perguntas, reproduzir sons sugeridos, imitar personagens etc.

Vale recordar que assimilamos 90% de tudo que é importante aprender para fazer de cada um de nós um ser humano até os seis anos de idade: comer, andar, falar, distinguir pessoas e relações de parentesco, discernir ocasiões de perigo ou risco, aprimorar o instinto de sobrevivência etc.

Crianças que escutam histórias desde cedo enriquecem seu vocabulário e desenvolvem a capacidade de compreensão e aprendizado. Pesquisas comprovam que o hábito da leitura em casa possibilita melhor aproveitamento escolar.

O grande perigo, hoje, é ver crianças e adolescentes "sequestrados" intelectualmente pela hipnose televisiva de baixa qualidade ou navegando à deriva na internet. No caso da TV, o risco de abdicarem da própria imaginação em prol das fantasias projetadas no monitor. Na adolescência, poderão buscar suprir a carência através das drogas.

O risco do uso abusivo da internet, sobretudo quando se navega sem direção, é ser bombardeado por um fluxo de estímulos e informações sem estrutura cognitiva e moral para selecioná-los ou discerni-los. E é bom lembrar que ver o que aparece na TV e na tela do computador não equivale a ler e, muito menos, a escrever.

Bem cantavam os versos de Castro Alves, no século 19: "Oh! Bendito o que semeia / Livros... livros a mão cheia / E manda o povo pensar! / O livro caindo n'alma / É germe que faz a palma / É chuva que faz o mar."


Frei Betto é escritor, autor de Maricota e o mundo das letras (Mercuryo Jovem), entre outros livros para crianças e jovens (www.freibetto.org e twitter:@freibetto)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Minas é um dos estados que menos consome livros


Pesquisa do Ibope indica que mineiros gastam menos com livros que fluminenses, paulistas e amazonenses. Belo-horizontino perde feio para moradores de Senador José Bento e de Luisburgo

Fonte: DIVIRTA-SE, Portal UAI - 17/08/2010


Minas Gerais é um dos estados que menos consomem livros no Brasil, revela pesquisa do Ibope Inteligência. De acordo com o diretor de Geonegócios do instituto, Antônio Carlos Ruótolo, os números mostram que o estado está “mais alinhado com o Nordeste que com o Sudeste” em termos de leitura.

A pesquisa indicou que cada pessoa gasta R$ 14,40/ano com livros em Minas Gerais. A média brasileira é R$ 30/ano. A diferença fica ainda mais gritante quando o estado é comparado ao Rio de Janeiro. Anualmente, os fluminenses, campeões no Brasil, gastam R$ 67,03 com livros. A enquete foi feita de agosto de 2009 a janeiro deste ano e ouviu 19.456 pessoas em todos os estados do país.

Susto

“Catorze reais? Achei que era isso por mês!”, reagiu a administradora Ana Luisa Almeida ao ficar sabendo dos números do Ibope. Ela passou parte de seu domingo em uma livraria na capital mineira e destina R$ 300 aos livros por ano.

Em Belo Horizonte, o gasto médio da população com o produto é de R$ 25,32/ano, abaixo da média nacional. A capital fluminense vem em primeiro lugar: anualmente, cariocas destinam R$ 95,60 aos livros. Em seguida vêm os paulistanos (R$ 67,31) e os brasilienses (R$ 61,32).

Edésio de Souza, gerente da Livraria Leitura do Pátio Savassi, na Zona Sul da capital mineira, estranhou o resultado da enquete. De acordo com ele, sua loja vende R$ 400 mil em livros mensalmente. A unidade do BH Shopping supera esse valor. “Talvez o Ibope tenha feito a pesquisa no Vale do Jequitinhonha”, especula Souza. Entretanto, a enquete abrange toda a Minas Gerais. O estado, anualmente, gasta R$ 244,8 milhões com livros, informa o Ibope.

“O poder aquisitivo mineiro é menor”, observa Ernelson Alves Ribeiro, um dos funcionários da Leitura. “Os livros custam o mesmo que em São Paulo, mas o salário daqui é mais baixo. Por isso os mineiros compram menos”, especula ele.

AMAZONAS

A pesquisa do Ibope trouxe surpresas, além do baixo consumo de livros por parte dos mineiros. O Amazonas, por exemplo, está em quarto lugar no ranking: seus habitantes gastam R$ 39,55 por ano com o produto. No estado de São Paulo são adquiridos 38% dos livros do país. Em termos de gastos, paulistas ficaram em terceiro lugar (com R$ 47/ano), atrás do Rio de Janeiro (R$ 67,03/ano) e do Distrito Federal (R$ 61/ano).

Entre os cinco estados que menos gastam, o Piauí aparece em primeiro lugar. Seus habitantes desembolsam R$ 7,89 por ano com livros. Em seguida vêm Alagoas (R$ 8,65) e Sergipe (R$ 9,09). Pernambuco e Roraima quase empatam na quarta posição, com R$ 12,76 e R$ 12,92, respectivamente.

Senador José Bento brilhou

A pesquisa do Ibope mostrou que, em Minas Gerais, a população de pequenas cidades gasta mais que belo-horizontinos na hora de comprar livro. Senador José Bento, município sul-mineiro, tem 3 mil habitantes e lidera o ranking das aquisições no estado.

Os senabentenses não contam com emissora de rádio ou jornal próprio, a escola local oferece até o ensino médio, mas o cidadão do município destina R$ 34,38/ano aos livros. “Fico muito feliz em saber disso”, afirma Marileia Fernandes, secretária de Educação de Senador José Bento.

Entre os municípios que deixam os belo-horizontinos para trás estão Comendador Gomes (R$ 33,73/ano), Gonçalves (R$ 33,28), Luisburgo (R$ 29,43) e Pedra Bonita (R$ 28,72). Curiosamente, todas essas cidades têm menos de 7 mil habitantes e suas escolas oferecem até o nível médio.

Há municípios mineiros que apresentam gastos extremamente baixos com o produto. Juvenília tem pouco mais de 6 mil habitantes; cada um deles destina, em média, R$ 3,92 a livros por ano. Curral de Dentro, Padre Carvalho, Fronteira dos Vales e Divisa Alegre integram a lista das cidades que menos compram o produto no estado.

O Ibope credita o baixo gasto com livros em Minas Gerais à demanda reprimida. “Com exceção de algumas poucas regiões, Minas tem muitas cidades pequenas, que não contam com livrarias. A pessoa tem interesse de comprar, mas não pode. É um problema de distribuição”, afirma Antônio Carlos Ruótolo, diretor de Geonegócios do instituto. Curiosamente, o município de Senador José Bento, que lidera a lista dos melhores compradores, não tem livraria.

Veja os números da pesquisa

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Preços dos livros em queda

Boletim Livro Leitura - Edição nº 219 - 16 a 22/08/2010

Foi apresentada no último dia 10 pesquisa sobre o setor livreiro realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) com a coordenação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (FIPE/ USP). Destaque para tendência de preços de queda e o aumento das vendas. Os dados divulgados no site da CBL mostram que “a venda de livros cresceu, em Reais, 4,3% e, em exemplares vendidos, 8,3%”. Também houve um aumento de 5% entre os lançamentos de títulos de autores nacionais.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pesquisa revela que os brasileiros estão lendo mais

Boletim Livro e Leitura Edição nº 217 - 02 a 08/08/2010



Pesquisa realizada pela Associação Nacional de Livrarias (ANL) aponta um aumento de 11% no número de livrarias brasileiras em relação ao que havia em 2006 e que os brasileiros estão agora lendo 1,9 livros por ano. Em depoimento ao jornal Bom Dia Brasil , daTV Globo , Vitor Tavares, presidente da ANL, diz que este índice ainda é muito baixo. “Ainda é 1,9 livro/ano lido por habitante ano. Isso é muito pouco e muito aquém de países latino-americanos. Na Argentina, se lê em torno de cinco. No Chile, três. Na Colômbia, se lê 2,5 livros por ano”, declara. O levantamento também mostra que os títulos infantis e juvenis são os mais vendidos e que a maioria das livrarias (56%) não faz vendas pela internet.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O raio x das livrarias


PublishNews - 29/07/2010 - Por Maria Fernanda Rodrigues
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O Brasil tem mais de 5 mil municípios e menos de 3 mil livrarias. Dá uma média de uma livraria para cada 64.255 habitantes. A região Sudeste é a que concentra o maior número de livrarias (56%) e São Paulo é o estado com mais lojas – são 864. O Norte está na lanterna e caindo ainda mais de 2006 para cá. Concentra 3% das livrarias e o Amapá tem apenas 15 unidades. Esses números constam da segunda edição do Diagnóstico do Setor Livreiro 2009 da Associação Nacional de Livrarias – o primeiro foi feito em 2006. Para Vitor Tavares, presidente da entidade, essa discrepância diminuiria caso existissem mais livrarias independentes no país. “Precisamos de uma política de incentivo à abertura de novas livrarias independentes”, disse. Mas logo vem outro dado preocupante: 67% das independentes com uma única loja faturam até R$ 350 mil. Se 60% desse valor é basicamente gasto em compra de livro, calcula... Mas o mercado livreiro está empregando mais: em 2009, 32.601 pessoas estavam empregadas formalmente. Além delas, outras 6.055 trabalhavam temporariamente nas livrarias. Em 2006, eram 27.790 empregos permanentes. Cada vez mais, as livrarias vendem outros tipos de produtos. CDs e DVDs já eram respostas esperadas – 53% das lojas têm espaço para eles. O mais curioso é que 32% dos que responderam ao questionário oferecem artigos religiosos. Livros infantis e juvenis são os mais vendidos. Apesar de muitos venderem pela internet (44%), essas vendas representam, no máximo, 5% do total. Quanto ao faturamento, a maior parte (38%) registra o valor de até R$ 350 mil, número puxado pelas livrarias independentes. Outros 24% faturam de R$ 600 mil a R$ 1,2 mi e apenas 1% conseguiu a proeza de faturar entre 9,6 mi e 20 mi. No “Leia Mais”, veja outros destaques da pesquisa respondida por cerca de 600 das 2.980 livrarias identificadas pela ANL.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

EUA: Biblioteca em casa deixa crianças mais inteligentes

Luciana Christante - Revista Mente Cérebro - 07/07/2010

Um grupo de sociólogos das universidades de Nevada em Las Vegas e da Califórnia em Los Angeles realizou o maior estudo internacional sobre a influência dos livros na educação escolar. Os resultados mostram que, independentemente do nível educacional dos pais, do status socioeconômico e do regime político, quanto mais livros houver em uma casa, mais anos de escolaridade atingirá a criança que crescer nela. Participaram do estudo mais de 70 mil pessoas de 27 países, entre os quais Estados Unidos, China, Rússia, França, Portugal, Chile, África do Sul (o Brasil não foi incluído). A conclusão foi publicada na revista Research in Social Stratification and Mobility.

No artigo, os autores explicam que o nível cultural e educacional dos pais também influencia a escolaridade atingida pela prole, mas nesse caso a correlação é mais fraca do que com o tamanho físico do acervo familiar de livros. Os resultados mostram também como o gosto pela leitura tende a diminuir diferenças sociais. Nos lares mais modestos, o efeito de cada acréscimo ao acervo no futuro acadêmico da criança é mais acentuado do que a adição de um volume a uma biblioteca mais ampla.Apesar de a tendência ter sido observada em todos os países, houve diferenças importantes entre eles.

Nos Estados Unidos, na França e na Alemanha, uma biblioteca com cerca de 500 volumes representou acréscimo de dois a três anos na escolaridade das crianças, comparando com uma casa sem livros. Na Espanha e na Noruega, o número saltou para até cinco anos e na China atingiu o máximo, entre seis e sete anos.

Segundo os pesquisadores, o regime comunista poderia explicar o resultado chinês, pois em um país onde há mais restrições à liberdade individual os livros seriam bens culturais ainda mais valorizados pela família. O mesmo raciocínio poderia se aplicar aos números semelhantes verificados em países do Leste Europeu (que formavam o bloco comunista) e a África do Sul, que viveu décadas sob o apartheid. Os casos analisados foram de pessoas que cresceram em meio a esses regimes. “A leitura é uma ótima fonte para os oprimidos, seja qual for sua cor, seus opressores e as circunstâncias históricas”, escreveram.

O estudo é uma prova irrefutável de que “uma casa onde os livros são valorizados fornece à criança ferramentas que são diretamente úteis no aprendizado escolar, como vocabulário, imaginação, amplo horizonte em história e geografia, a compreensão da importância da evidência no argumento, e muitas outras”. E confirma os famosos versos de Castro Alves, do século 19: “Oh! Bendito o que semeia/ Livros... livros a mão-cheia.../ E manda o povo pensar!/ O livro caindo n’alma/ É germe – que faz a palma./ É chuva - que faz o mar.”

terça-feira, 13 de julho de 2010

Feiras do Livro - Frei Betto

O Dia online

Participei, nos últimos meses, de várias ferias do livro e outros eventos literários, como o Programa TIM Grandes Escritores. Entre outubro e novembro passados, estive nas feiras de Gravataí (RS), Caxias do Sul (RS), Belém (PA) e no Fórum das Letras, em Ouro Preto (MG). Em todos esses eventos constatei o empenho dos promotores em promover o livro, despertar o interesse pela literatura e facilitar o contato entre leitores e escritores.

Ler é percorrer todos os períodos da história, penetrar conhecimentos científicos e técnicos, dar asas à imaginação, sem sair do lugar. Basta abrir o livro. É conhecer qualquer tema, da fabricação de vinhos à vida dos papas, bastando decifrar o código alfabético em folhas de papel ou no monitor de um equipamento eletrônico. Ler é sonhar, poetar, divagar, expandir a fantasia e cultivar a sensibilidade.

A diferença entre ler e ver TV é que, no primeiro caso, o leitor escolhe o que lhe interessa. Com a vantagem de não se submeter à avalanche publicitária e adequar a programação – no caso, a leitura – ao ritmo de sua conveniência. E, considerando a baixa qualidade de conteúdo na TV brasileira, ler é absorver cultura.

No Brasil, o consumo de livros ainda é ínfimo: 2,7 por habitante/ano. Na Argentina, 6. Há em nosso país cerca de 3 mil livrarias, 50% no estado de São Paulo. Aqui, o livro sofre o efeito Tostines: é caro porque vende pouco e vende pouco porque é caro. O governo, excetuando a compra de livros didáticos, não incentiva a produção e circulação de livros. Raros os municípios com bibliotecas públicas, e as poucas existentes nem sempre primam pela conservação das instalações e atualização do acervo. A informatização ainda engatinha e o leitor enfrenta, por vezes, barreiras burrocráticas para ter acesso ao livro.

Assim, não é de se estranhar que alunos da 8ª série não consigam redigir uma simples carta sem cometer graves erros de concordância e sintaxe. A situação piora quando se trata de interpretar um texto. Lê-se o período sem conseguir entendê-lo...

O amor aos livros nasce na infância. Criança que jamais viu os pais lerem ou vive numa casa desprovida de livros terá, com certeza, dificuldade de adquirir gosto pela literatura. Hoje em dia recomenda-se ler histórias para os bebês, de modo a favorecer as sinapses cerebrais e a elaboração de sínteses cognitivas. Ao ler ou contar uma história para crianças é normal ouvi-las recriarem em cima do que escutam. A imaginação entra em diálogo com o texto. A fantasia aflora, oxigenando o ouvindo psíquica e espiritualmente.

Já a TV não propicia essa interação, apenas impõe à criança o conteúdo de sua programação. E, de certo modo, anula a fantasia infantil, como se a TV fosse capaz de substituir o saudável exercício de dar asas à imaginação.

Outrora, as feiras do livro tinham a característica de baratear o produto. Hoje, isso se torna cada vez mais raro. Apesar de o governo Lula ter desonerado tributos de editoras, tudo indica que o benefício não se estendeu aos leitores.

Felizmente há, pelo Brasil afora, bibliotecas montadas por iniciativas voluntárias, cujos acervos dependem de doações. Na capital paulista, é possível tomar emprestado um livro nas estações de metrô. E o índice de não devolução é mínimo – o que consola nossa autoestima ética nessa nação de tantos políticos corruptos. Em Brasília, um açougue dispõe livros em pontos de ônibus. Na Baixada Fluminense, uma dona de casa transformou seu quintal em biblioteca pública.

Tomara que o propósito de o poder público instalar uma biblioteca em cada município brasileiro torne-se realidade um dia. O Brasil estará a salvo no dia em que as novas gerações forem viciadas em livros.

Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros. www.freibetto.org http://www.freibetto.org

terça-feira, 6 de julho de 2010

Gerações Interativas anuncia segunda edição da pesquisa com jovens e adolescentes

EducaRede

Crianças e adolescentes estão cada vez mais conectados às chamadas “telas digitais”: Internet, celular, televisão e videogames. Com que frequência e de que forma costumam utilizá-las em seu cotidiano? Para analisar esse fenômeno e chamar a atenção de pais e educadores para a importância da mediação educativa, nasce o projeto iberoamericano Gerações Interativas, idealizado pela Universidade de Navarra (ES) em parceria com a Telefônica.

O Gerações Interativas tem como principal ação a realização de uma pesquisa bianual de caráter comportamental em escolas espanholas e latino-americanas que visa conhecer em detalhe o quanto os alunos de 6 a 18 anos estão envolvidos com as mídias digitais, e os respectivos impactos desse hábito nos meios familiar e escolar.


No Brasil, a segunda edição da pesquisa Geração Interativa está sendo realizada desde 20 de maio de 2010. E a sua escola pode participar! Basta ter computadores conectados à Internet. A pesquisa é aplicada por meio de um questionário on line que os estudantes respondem, anonimamente, em suas escolas. Cada escola recebe uma senha de acesso para ser utilizada por todos os alunos. Para receber essa senha, a escola deve preencher um formulário na Internet (clique aqui para acessar o formulário).

A aplicação da pesquisa exige alguns cuidados. Assim o EducaRede elaborou um Roteiro para o professor, com orientações que vão desde como planejar essa ação, passando por dicas para ajudar os alunos a responderem o questionário, até o compartilhamento dos resultados com o grupo.

A escola participante da pesquisa recebe relatórios personalizados sobre os dados coletados na sua instituição. A partir desse diagnóstico, espera-se que a escola incorpore em seu planejamento pedagógico uma proposta de uso dessas informações para desenvolver atividades voltadas para educadores, alunos e suas famílias relacionadas ao uso responsável das telas digitais. O Foro Generaciones Interactivas, que tem o EducaRede Brasil como parceiro local, oferece assessoria, materiais, propostas de atividades e acompanha a distância essa tarefa.

Em 2009, a primeira edição desse estudo resultou na publicação A Geração Interativa na Ibero-América.

Dicas, materiais de apoio e outras informações, aqui.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Em escala de zero a dez, educação infantil recebe 3,4

Pesquisa avaliou 43 aspectos do ensino de crianças em seis capitais do País; notas não passam de 6,7


O Estado de São Paulo - 14 de junho de 2010

A educação infantil brasileira merece nota 3,4, numa escala de zero a dez. A conclusão é da pesquisa "Educação Infantil no Brasil: avaliação qualitativa e quantitativa", realizada pela Fundação Carlos Chagas em parceria com o Ministério da Educação e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, cujos resultados serão apresentados hoje e amanhã.

Obtido com exclusividade pelo Estado, o estudo mediu a qualidade da creche (de 0 a 3 anos) e da pré-escola (4 e 5 anos) em seis capitais de todas as regiões do País: Belém, Campo Grande, Florianópolis, Fortaleza, Rio de Janeiro e Teresina.

A nota 3,4 demonstra que a qualidade do ensino infantil tem nível básico (de 3 a 5) - os outros estágios eram: inadequado (1 a 3), adequado (5 a 7), bom (7 a 8,5) e excelente (8,5 a 10).

Foram avaliados 43 aspectos divididos nas seguintes áreas: espaço e mobiliário (média 3,1); rotinas de cuidado pessoal (4,1); linguagem e raciocínio (3,7); atividades (2.3); interação (5,6); estrutura do programa (2,5) e pais e equipe das escolas (3,6). É a primeira vez que se tem acesso a tópicos aprofundados das condições do ensino infantil no País.

O aspecto que recebeu a nota mais baixa (1,6) está dentro da área de atividades e avalia a disponibilidade de materiais para aulas de ciências, como coleções de objetos naturais e livros e jogos temáticos. Já o que recebeu a nota mais alta, 6,7, pertence ao quesito interação e analisa se as relações entre adultos e crianças são empáticas.

Para Marcelo Alfaro, especialista em educação do BID no Brasil, os resultados baixos não surpreendem. Segundo ele, a área mais problemática é a chamada "fundamentalização" do ensino infantil (abordagem semelhante à do ensino fundamental). "Isso é observável, por exemplo, na disposição das carteiras nas salas de crianças 4 e 5 anos", afirma. "É essencial construir uma identidade própria para a nossa educação infantil."

A solução para o quadro negativo, de acordo com Alfaro, está num pacote de medidas que abrangem desde investimentos em materiais a melhorias na formação dos professores. "A parceria entre o MEC e as secretarias municipais também é um tema central", explica. "Certamente a expansão da obrigatoriedade do ensino às crianças de 4 e 5 anos coloca muitos desafios, mas a meta deve ser universalizar com qualidade." /M. M.

Índices baixos

2,9
é a nota dada às refeições e merendas servidas nas escolas

4,4
é a nota que as práticas de saúde nas escolas receberam

2,6
é a nota dada aos livros usados

terça-feira, 8 de junho de 2010

Brasil precisa de 25 bibliotecas por dia no ensino fundamental

Número é o necessário para adequar o País à nova lei, que exige um acervo por escola

Simone Harnik

Da Redação do Todos Pela Educação, 02-06-2010

Toda escola do país deve ter uma biblioteca, segundo a lei 12.244/2010 assinada na última semana pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. É claro que não se monta um acervo de livros de um dia para outro, então, todas as instituições de ensino terão prazo de dez anos para constituírem suas coleções. E qual o tamanho do desafio para o País?

Baixe as tabelas com o diagnóstico em nosso site

Um estudo do Todos Pela Educação, com base em dados do Censo da Educação Básica 2008, mostra que, para o Brasil se ajustar à nova norma terão de ser construídas mais de 93 mil bibliotecas na próxima década só no ensino fundamental - são 9 mil novos acervos por ano ou mais de 25 por dia. Isso porque, nesta etapa da Educação Básica, apenas 39,3% dos colégios do país possuem seus próprios acervos.

A Educação Infantil ocupa o segundo lugar no ranking do "drama da falta de bibliotecas". Para cumprir a nova lei, teriam de ser instalados mais de 21 acervos por dia, nesta etapa do ensino.

Para Luís Norberto Pascoal, conselheiro do Todos Pela Eduação, "a lei é boa". "Precisa agora deregulamentos e incentivos corretos que coloquem a nação como parceira e faça desse espaço deleitura um centro de cidadania para os alunos, para os pais e comunidade no entorno de cada escola", afirma ele.

No entanto, ele avisa: "Se formos esperar que a lei seja cumprida, vai demorar para chegarmos lá. Mas se a sociedade como um todo ajudar e se mobilizar, será muito mais fácil e rápido", diz.

Na avaliação de Christine Castilho Fontelles, diretora do Instituto Ecofuturo, a própria existência da lei é um marco regulatório. "Ela dá garantia aos direitos à informação", aponta. "No entanto, dez anos é muito tempo para que ela seja cumprida. Porque os déficits de falta de contato com os livros vão continuar acontecendo."

Na avaliação de Christine, o problema é pior porque a falta de livros atinge os primeiros anos da Educação Básica. "Assim, o problema só se potencializa e vira um círculo vicioso."

Públicas x Particulares

Em geral, a situação das escolas particulares está melhor do que a das públicas, no quesito existência de acervo. Mas na Educação Especial, por exemplo, há mais de 1.300 escolas sem sua própria coleção de livros. E só 39,3% delas têm biblioteca, percentual que está abaixo do de escolas públicas nessa modalidade de ensino (72,3%).

No ensino fundamental, embora o cenário das instituições privadas esteja melhor do que o das públicas, faltam ainda 3.945 acervos.

Qual é o maior desafio?

Na rede pública, o maior desafio é a construção de bibliotecas para as escolas municipais. Instituições federais já estão quase regularizadas - no entanto, elas são minoria na Educação Básica.

Dois dados alarmantes das redes municipais são a quantidade de acervos nas escolas de Educação Infantil e do Ensino Fundamental: apenas 18,2% e 22,9% delas, respectivamente, possuem bibliotecas.

Número de profissionais

Isso tudo sem contar o número de funcionários especializados que deverão cuidar das coleções. Hoje, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2008, há um total de 21,6 mil profissionais habilitados. No país, há aproximadamente 200 mil escolas - o que indica uma necessidade de formação de novos gestores para as bibliotecas escolares.

O profissional, segundo Christine, é uma figura chave para que a biblioteca ganhe vida. "Um livro que não é usado é um livro sem valor. Por isso, é importante alguém com uma formação adequada para animar a lei."

O Todos Pela Educação é um movimento da sociedade civil, apartidário, que reúne lideranças sociais, educadores, gestores públicos e representantes da iniciativa privada, com o objetivo de ajudar o País a garantir uma Educação pública de qualidade para todas crianças e jovens brasileiros. Para receber o boletim Sugestão de Pauta, escreva para contato@todospelaeducacao.org.br

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Por que é importante escrever bem?

Ju Bernardino - Site Educar para Crescer, 13-05-2010


Desde que o homem começou a organizar o pensamento por meio de registros, a escrita foi se desenvolvendo e ganhando extrema relevância nas relações sociais, na difusão de ideias e informações. Como diz o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, ela até ficou ameaçada com o advindo do telefone, da televisão e do cinema, mas logo recuperou sua força. “O que aconteceu com a expressão escrita é uma coisa curiosa. Ela parecia agonizante. Eis que surge a internet, e-mail, o blog, o twitter, e a escrita recupera-se do estado agônico de modo inesperado e espetacular. Quem insiste em prescindir dela está fora do mundo”, opina o jornalista e colunista da revista Veja. “Nem é preciso que pais, ou professores, venham a incentivar os alunos. O aparato tecnológico que os cerca fala por si”.

Tanto é verdade que inúmeros órgãos e movimentos ligados à Educação, assim como o MEC, vêm desenvolvendo ações cuja finalidade é a formação de jovens e crianças com capacidade para usar a escrita (e a leitura, obviamente) nas mais diversas práticas sociais, com autonomia!

O Instituto Ecofuturo é um caso assim: criou um concurso de redação destinado a estudantes de escolas públicas e privadas, que visa, por meio da escrita, estimular a manifestação da criatividade e a autoexpressão. Na sexta e última edição do concurso, mais de 30 mil redações foram recebidas e uma pesquisa, ao final, foi realizada. O resultado instiga: 22% dos alunos vencedores acreditam estar escrevendo mais depois do concurso e 35% estão mais aplicados nos estudos. Qual seria a explicação para isso? “Uma delas é que o aluno foi encantado com a possibilidade de se pronunciar, de ter uma escrita autoral, e se viu reconhecido, capaz”, explica Christine Fontelles, diretora de Educação e Cultura e Comunicação no Instituto Ecofuturo, organização não governamental mantida pelo Grupo Suzano.

É possível concluir que a criança estimulada a escrever regularmente tem mais chance de adquirir este hábito e escrever melhor? Um estudo divulgado este ano pelo Fundo Nacional de Alfabetização do Reino Unido, "The National Literancy Trust”, mostrou que sim – assim como a criança que lê mais também apresenta melhor desempenho na leitura.

Jorge Miguel Marinho, escritor, roteirista e professor universitário de Literatura Brasileira, defende que, no fundo, todos querem escrever porque a escrita resulta de uma motivação natural de fazer com que a experiência individual de cada um se torne um meio de comunicação com o mundo. Só é preciso um incentivo, um empurrãozinho, que precisa vir, sobretudo, de pais e educadores. “Acredito que crianças, jovens e mesmo adultos que vivem com pessoas que valorizam e são entusiasmadas com o mundo dos livros e da escrita têm mais oportunidade de viver a sensibilidade das palavras enquanto leitores, escritores e até criadores e isto, mais do que um hábito, torna-se um componente absolutamente necessário e imprescindível para a vida”, argumenta Marinho, que acaba de lançar o livro A convite das palavras: motivações para ler, escrever e criar.

A prática da escrita não deve ficar restrita a estudantes, nem tampouco aos que dominam a forma culta, como os escritores. “Escrever vai muito além das regras impostas por qualquer sistema teórico ou didático: é um modo privilegiado de se descobrir e desvelar humanamente a experiência imperdível de viver”, complementa Jorge Marinho, com sabedoria. Nos itens abaixo, Jorge Marinho, Roberto Pompeu de Toledo, Christine Fontelles, cientista social por formação, e Mary del Priore, historiadora e escritora, falam sobre a importância da escrita e dão motivos para qualquer cidadão escrever sempre. Confira!

Ajudar o filho em fase de alfabetização

Pais que usam a escrita dentro de casa, como em bilhetes, recados ou cartões de aniversário, por exemplo, podem estar ajudando os filhos a entenderem mais cedo função social da escrita (e consequentemente da leitura), e assim colaborar com o processo de alfabetização da criança. “Ler e escrever são habilidades que se desenvolvem pela prática, e esta prática precisa ser oferecida de forma adequada. Em casa, é importante aproveitar os momentos de interação entre pais e filhos e transmitir bons exemplos, com situações de leitura e escrita”, opina Christine Fontelles, diretora de Educação, Cultura e Comunicação do Instituto Ecofuturo.


Incluir-se socialmente

A escrita, bem como a leitura, é uma habilidade que capacita o cidadão para atuar em todos os âmbitos sociais. Quando uma pessoa aprende a escrever com clareza, ela assume seu lugar num mundo que, cada vez mais, precisa da escrita para se comunicar. Assim, a escrita é um recurso indispensável à cidadania e um meio para a inclusão social e digital. Mas não basta apenas saber escrever (e ler). É preciso saber fazer uso desse recurso em práticas sociais - para se manifestar, se comunicar, acessar os meios digitais, blogs, e-mails, etc. “Todo educador sabe que o iletrismo aumenta as limitações dos indivíduos. No passado, saber ler e escrever eram sinônimos de dignidade e de independência de espírito. Hoje, a multiplicação de práticas de leitura – jornais, revistas, livros e internet - só facilita o hábito e as chances de inclusão”, afirma Mary del Priore, autora de “Histórias das Mulheres no Brasil” e “Histórias das Crianças no Brasil”.


Ler mais!

O hábito da escrita não pode ser dissociado do hábito da leitura. Se quem lê mais escreve mais, o inverso também é verdadeiro: quem escreve mais também vai querer ler mais. “É lendo que se aprende a escrever”, declara o jornalista Roberto Pompeu de Toledo. “O que os pais, mestres, etc, devem incentivar, não é escrever - é escrever bem. E incentivar a escrever bem não é outra coisa senão incentivar a ler. É lendo que se aprende a escrever”. A historiadora e escritora Mary Del Priore concorda: “Para se gozar o prazer de bem escrever é preciso ler. E investir na formação e na energia do trabalho com as palavras”, complementa.


Examinar a própria história

Escrever blogs, diários, cartas ou fazer anotações particulares é uma forma de acessar reflexões e pensamentos pessoais, registrando-os, compartilhando-os e revisando-os sempre. O escritor Jorge Miguel Marinho diz: “escrever é uma forma de o indivíduo tornar a sua história individual matéria coletiva e a experiência humana só interessa mesmo quando procuramos estabelecer um elo de comunhão com os outros num diálogo permanente, revelando as mazelas da vida e suas porções de felicidade que, pela própria possibilidade de se poder escrever sobre elas, são sempre infinitamente maiores”. Sem contar que a escrita é um meio de se registrar as memórias de um povo, tanto sob o aspecto cultural, quanto artístico, político, social e religioso.


Manifestar-se

Escrever nos torna livres. Por meio da escrita é possível opinar, interagir, manifestar ideias, reivindicar direitos... “É pela palavra que o indivíduo se situa no mundo, expressa a leitura que faz dele, argumenta, discorda, enfim, atua com liberdade”, defende Christine Fontelles, co-responsável pela concepção e lançamento do Instituo Ecofuturo em dezembro de 2009.


Destacar-se profissionalmente

Escrever bem é um diferencial para qualquer profissional, pois é uma importante forma de comunicação. E-mails, relatórios ou outros documentos bem escritos fazem diferença no dia a dia, e na qualidade dos serviços prestados em quaisquer empresas. Assim, para ser um bom profissional é preciso manter contanto com todos os tipos de materiais de leitura, pois, como já foi dito, para ter uma boa escrita é preciso ser um leitor dedicado. “A leitura constante depura o gosto e o leitor naturalmente passa a exigir mais das palavras e da vida”, comenta Jorge Miguel Marinho, escritor premiado com o Jabuti de melhor livro juvenil de 2006 por Lis no peito - um livro que pede perdão (Editora Biruta).


Escapar da realidade cotidiana

Escrevendo, podemos ir para aonde quisermos. É um momento individual, em que você pode tanto conectar-se com a vida real quanto desconectar-se dela. A escrita oferece instrumentos para a reflexão, a dispersão e a expressão. Para o escritor e professor universitário Jorge Miguel Marinho, ler e escrever são experiências imperdíveis na escola da vida, que podem acontecer em qualquer momento e lugar.


Como melhorar sua escrita?

- Escreva bilhetes, cartas, e-mails. Quanto mais você treinar no dia-a-dia, melhor escreverá.- Brinque de palavras cruzadas, forca, stop, caça-palavras e outros jogos. Isso pode ajudá-lo a fixar a grafia correta.- Compre um dicionário – saber o significado das palavras, vai ajudá-lo a aumentar a qualidade do seu texto.- Leia sempre – quanto mais você ler mais vocabulário irá ganhar e a qualidade do seu texto aumentará. - Copie poemas, letras de música e bons textos. O exercício leva ao aperfeiçoamento. - Participe de redes sociais como o twitter, facebook e Orkut, evitando abreviações e grafias incorretas.


Frases sobre a importância de escrever

"A gente escreve como quem ama, ninguém sabe por que ama, a gente não sabe por que escreve também", Clarice Lispector
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“Ninguém escreve para si. A não ser um monstro de orgulho. A gente escreve para ser amado, para atrair, para encantar”, Mário de Andrade
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“Escrevo sobre aquilo que não sei, para ficar sabendo”, Fernando Sabino
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“A escrita nada mais é do que um sonho portador de conselhos”, Jorge Luis Borges
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“Quem escreve nunca se satisfaz com o que escreveu e talvez esta seja a motivação melhor do ato de escrever: um texto escrito é sempre promessa do texto que ainda não se escreveu”, Jorge Miguel Marinho
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“Escrever, para mim, é paixão, é prazer, é maneira de melhor me conhecer, me fazer mais humana, me aproximar das pessoas... é uma forma de ser feliz!”, Mary del Priore

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Faturamento das livrarias deve crescer 11,87% em 2010



Do R7 -23/04/2010


O faturamento do setor de livrarias no Brasil deve crescer 11,87% em 2010, segundo previsão da ANL (Associação Nacional de Livrarias). Em 2009, o aumento foi de 9,73%, comparado ao mesmo período de 2008. Esse crescimento também significa emprego - cerca de 35 mil profissionais atuam na área. Uma boa notícia para os leitores, é que nos últimos cinco anos o livro ficou 23% mais barato.
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Esses fatores podem ser bons incentivos à leitura, mas de acordo com a presidente do Instituto Pró-Livro, Sônia Jardim, o brasileiro ainda lê pouco. A razão, ela afirma, é a falta de políticas públicas, mas também falta de dinheiro.
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- Na pesquisa que realizamos, Retratos da Leitura no Brasil, a renda está diretamente ligada aos hábitos de leitura. Cerca de 18% dos entrevistados afirmaram que não leem por falta de dinheiro. Porém, o Brasil está crescendo e isso tende a mudar com o tempo.
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Segundo Sônia, o brasileiro lê em média 1,6 livro por ano, e incluindo livros didáticos, esse número chega a 4,7. Ela relatou que alunos que leram quatro livros no ano tiveram um melhor resultado na avaliação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) do que os que não leram essa quantidade.
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De acordo com a ANL, o Brasil possui 2.600 livrarias, sendo 70% de pequeno e médio porte com um faturamento mensal entre R$ 35 mil e 45 mil. Segundo estatísticas da Unesco, o ideal para um município é uma livraria para cada 10 mil habitantes. No Brasil um número perto do razoável seria de 4.900 Livrarias. Como o Estado que possui o maior número de livrarias está São Paulo, com aproximadamente 590 na região metropolitana.

Dificuldades
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Apesar do crescimento das livrarias, o presidente da ANL, Vitor Tavares, diz que tem sido difícil para as redes pequenas sobreviverem porque sites varejistas, como supermercados, também estão vendendo livros.
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- Hoje, sem nenhuma sombra de dúvida, há concorrência desleal por parte de alguns sites varejistas. Isso não permite que a pequena e média livraria consiga ter o seu balanço fora do vermelho. Em nossa pesquisa sobre o segmento das livrarias no Brasil, apresentado no início deste ano, foi possível identificar que 30% dos filiados à ANL ainda não têm condições e não estão preparados para vender pela internet.
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terça-feira, 13 de abril de 2010

Retrato das bibliotecas do Brasil

Do Blog do Galeno


Um retrato das bibliotecas do Brasil

O Ministério da Cultura pretende anunciar no próximo dia 23, Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor, o resultado da maior radiografia das bibliotecas públicas brasileiras já feita no País. O estudo foi encomendado à Fundação Getúlio Vargas e os dados, contabilizados no final do ano, estão sendo rechecados.O governo dá, assim, uma bela bola dentro.

O Dia D das bibliotecas


O Ministério da Cultura se deu até junho o prazo para zerar, finalmente, o número de cidades brasileiras sem bibliotecas (só para lembrar: eram 1.300 em 2003, segundo o IBGE). O problema é que cada vez que acha que identificou todos os municípios sem esse equipamento essencial para a vida nas cidades surge algum outro onde a biblioteca simplesmente fechou as portas.Será uma data com forte simbolismo para a leitura no País.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Bibliotecas Comunitárias contra o analfabetismo funcional

Revista Geografia - Março 2010

A liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos são valores humanos fundamentais e só podem ser alcançados quando todos os cidadãos estiverem informados para exercerem seus direitos democráticos e para desempenhar em um papel ativo na sociedade. (manifesto da UNESCO).

Por Kátia Ferraz

Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) , do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontaram que o Brasil tem o grande desafio de combater o chamado analfabetismo funcional, que atinge 25% da população com mais de 15 anos, entre outras agravantes, constitui um problema silencioso e perverso que afeta o dia a dia nas empresas.
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Neste universo não estamos incluindo pessoas que nunca foram à escola, mas sim aquelas que sabem ler, escrever e contar; chegam a ocupar cargos administrativos, porém não conseguem compreender a palavra escrita. Computadores provocam calafrios e manuais de procedimentos são ignorados; mesmo aqueles que ensinam uma nova tarefa ou a operar uma máquina. No entanto, este perfil de profissionais prefere ouvir explicações da boca de colegas.
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Calcula-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais somem 70% da população economicamente ativa. O resultado não é surpreendente, uma vez que apenas 20% da população brasileira possui escolaridade mínima obrigatória (ensino fundamental e ensino médio). Para 80% dos brasileiros, o ensino fundamental completo garante somente um nível básico de leitura e de escrita.
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No mundo todo há entre 800 e 900 milhões de analfabetos funcionais, ou seja, uma camada de pessoas com menos de quatro anos de escolarização; mas pode-se encontrar também neste meio, pessoas com formação universitária e exercendo funções-chave em empresas e instituições, tanto privadas quanto públicas. Entre suas características, não têm as habilidades de leitura compreensiva, escrita e cálculos para fazer frente às necessidades de profissionalização e tampouco, da vida sociocultural às necessidades de profissionalização e tampouco, da vida sociocultural.
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Muito se tem que fazer para reverter esse quadro, mas algumas iniciativas como a criação de bibliotecas comunitárias pelo país tem tido resultados significativos e atraído um público cada vez maior para o mundo da leitura.
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Uma biblioteca pública está destinada a atender à comunidade em geral, e seu acervo deve ser composto por uma grande variedade de assuntos. Na maioria das vezes, sua gestão é administrada por integrantes da própria comunidade. Criar uma biblioteca comunitária é uma possibilidade de valorização da comunidade local, na medida em que os conhecimentos podem ser levados a um número maior de pessoas. Essa iniciativa mostra o alto nível de organização, amadurecimento e cidadania da comunidade local, já que assim as pessoas se tornam responsáveis pelo processo de crescimento cultural coletivo e individual.
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A biblioteca deve ser um lugar onde o povo possa se encontrar, trocar ideias, discutir problemas, saciar curiosidades e obter informações essenciais para a cidadania. Na chamada sociedade da informação, ainda existem pessoas desinformadas, diante da privação do direito de participação. A existência de bibliotecas comunitárias, que atendam às necessidades de informação, pode minimizar a exclusão social, em regiões caracterizadas pela privação de educação, informações, lazer e vários fatores considerados essenciais para a qualidade de vida.
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A implantação deste espaço visa minimizar as diferenças culturais, raciais, econômicas e educacionais. Para isso elas deverão ser munidas de acervo bibliográfico e documental, considerando os costumes da cultura em que ela está inserida, possibilitando ao seu usuário, o livre e gratuito acesso à informação. Nos países avançados, as bibliotecas públicas são centros de informação da comunidade – que trabalham ativamente para atrair seu público.
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Biblioteca Comunitária Ler é Preciso
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As bibliotecas comunitárias ainda são fenômenos em construção, pois, muitas delas ainda estão em projetos e nas mentes de pessoas que sonham com uma unidade de informação perto de sua casa. Felizmente várias delas já ultrapassaram o mundo da imaginação e se tornaram reais.
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A ONG Instituto Ecofuturo, mantida pela empresa Suzano Papel e Celulose e Suzano Petroquímica criou, há dez anos, o projeto, o projeto Bibliotecas Comunitárias “Ler É Preciso”, que hoje já conta com 80 bibliotecas espalhadas pelo país. Segundo Christine Castilho Fontelles, diretora de educação e cultura do Ecofuturo, “A ideia surgiu em 1999, por meio de um diálogo com um engenheiro da região do Vale do Paraibúna, em São Paulo, que apresentou um projeto, visando resgatar a cidadania rural da comunidade. Eles detectaram um êxodo considerável de jovens do local, pela falta de atividades e até mesmo de uma biblioteca local.
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Dez anos depois, o projeto adquiriu um outro corpo, mas sempre esteve pautado na formação de pessoas, na aquisição de um acervo de qualidade novo, fundamentalmente calçado em literatura infantil e juvenil”, explicou.
Entre as prioridades deste trabalho, Christine Fontelles ainda afirma, “Saber ler e escrever com competência é requisito fundamental para que uma pessoa possa desenvolver autonomia, ter acesso à construção de um pensamento autônomo e participar ativamente de uma sociedade democrática tônomo e participar ativamente de uma sociedade democrática . O acesso às obras de qualidade é de extrema importância para acessar o conhecimento e desenvolver estas competências”.
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Participação da comunidade é fundamental


Ainda sobre a mesma ideia, a diretora do Ecofuturo explica que o fato da comunidade participar ativamente faz com que as bibliotecas sejam mais visitadas. “Para nós é importantíssimo que a comunidade dialogue com o poder público, que se constitua um grupo misto de trabalho com pessoas de várias áreas da comunidade como: conselho tutelar, comércio local, agentes de saúde, educação e cultura”. Precisamos ter um grupo interdisciplinar que discuta e planeje a biblioteca em todos os seus aspectos, sejam administrativos, organizativos, até a parte de captação de novos participantes, além de programar atividades de leitura. Nós incentivamos muito para que eles trabalhem com as mídias locais (rádio comunitárias, jornais).

Uma das últimas bibliotecas implantadas no Jardim Panorama, em São Paulo, desprovido de equipamentos culturais e de lazer, exigiu um trabalho muito delicado para construção da confiança de seus moradores. Cerca de 400 famílias residem ali, em uma comunidade que tem pouco espaço territorial e uma fraca infra-estrutura.

Marcos Rosa da Silva, presidente da União de Moradores da Favela Jardim Panorama e representante do poder público local, explica que a biblioteca é uma conquista valiosa para a comunidade. “Em uma localidade carente como a nossa, muitas vezes as pessoas colocam a leitura em segundo plano. Uma iniciativa como essa é extremamente importante para que os moradores do Jardim Panorama possam colocar os livros em sua vida. Literatura é fundamental para o desenvolvimento social do ser humano”, afirma.
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Ele ainda ressalta que a conversa com os articuladores antes da implantação foi fundamental para que a comunidade abraçasse a ideia. “A vinda deles até aqui nos ajudou a enxergar a importância da leitura e de se ter uma biblioteca com a nossa cara aqui. Estamos satisfeitos e esperamos que este espaço traga reais mudanças para o Jardim Panorama”, explica.
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Funcionamento das bibliotecas comunitárias
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Quase todas as bibliotecas implementadas têm a contrapartida da Prefeitura local, além de parceiros comerciais na doação de livros. A prefeitura que cede o espaço faz as obras de restauro e vai garantir a manutenção dessa biblioteca em todos os eixos, desde a remuneração de quem trabalha até a manutenção do acervo. “A ideia não é prescindir desse apoio e sim trazer a comunidade para dialogar e criar um novo padrão de atendimento nessa área”, explica Christine Fontelles.

“Encontramos secretários de Cultura ou de Educação que não estão nem aí e diretores de escolas com muita vontade de ter a biblioteca. Conciliar as duas pontas é difícil, mas não é impossível, porém leva mais tempo porque são necessárias diversas estratégias”, diz a diretora.

Christine acrescenta ainda que, a cada dia surgem novos ingredientes para serem adicionados ao Programa. “Criamos um movimento de sensibilização da sociedade sobre a importância de se oferecer literatura para bebês. E conseguimos em janeiro de 2009, a promulgação do dia da leitura, em 12 de outubro. O objetivo é que possamos reunir e catalisar as ações, porque existem inúmeras desenvolvidas pelo país, mas funcionam sem coordenação. Quanto mais informação se tem, melhor se pode desenvolver o trabalho de formação de leitura”, conclui.

Na mesma linha de atuação das bibliotecas implantadas pelo Ecofuturo, também merece ser ressaltado o programa São Paulo: um estado de leitores, lançado em 2003, pela Secretaria de Estado da Cultura, em parceria com as prefeituras locais e iniciativa privada.

Desde o lançamento do programa, várias empresas consideraram o projeto extremamente importante e participaram com a doação de uma ou mais bibliotecas para os municípios. No esquema tripartite montado, os padrinhos contatados pela Secretaria fornecem um computador e um acervo básico de 600 ou 1000 títulos definidos pelo Governo, dependendo do número de habitantes dos municípios. As atividades de estímulo à leitura ficam sob a responsabilidade da Secretaria e às Prefeituras coube oferecer a área para a implantação da biblioteca e o profissional para operá-la.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Água poluída mata mais que violência no mundo, segundo a ONU


Da Reuters

A população mundial está poluindo os rios e oceanos com o despejo de milhões de toneladas de resíduos sólidos por dia, envenenando a vida marinha e espalhando doenças que matam milhões de crianças todo ano, disse a ONU nesta segunda-feira.

“A quantidade de água suja significa que mais pessoas morrem hoje por causa da água poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras”, disse o Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês).

Em um relatório intitulado “Água Doente”, lançado para o Dia Mundial da Água nesta segunda-feira, o Unep afirmou que dois milhões de toneladas de resíduos, que contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, causaram gigantescas “zonas mortas”, sufocando recifes de corais e peixes.

O resíduo é composto principalmente de esgoto, poluição industrial e pesticidas agrícolas e resíduos animais.

Segundo o relatório, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90 por cento da água de esgoto sem tratamento.

A diarréia, principalmente causada pela água suja, mata cerca de 2,2 milhões de pessoas ao ano, segundo o relatório, e “mais de metade dos leitos de hospital no mundo é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada.”

O relatório recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos multimilionários para o tratamento de esgoto.

Também sugere a proteção de áreas de terras úmidas, que agem como processadores naturais do esgoto, e o uso de dejetos animais como fertilizantes.

“Se o mundo pretende… sobreviver em um planeta de seis bilhões de pessoas, caminhando para mais de nove bilhões até 2050, precisamos nos tornar mais inteligentes sobre a administração de água de esgoto”, disse o diretor da Unep, Achim Steiner. “O esgoto está literalmente matando pessoas.”
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Dicas de leitura:
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Confira, abaixo, o artigo "Água no Século XXI", de José Galizia Tundisi, publicado no livro A vida que a gente quer depende do que a gente faz.
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*Para ler, clique no botão full na barra inferior*



Conheça também o belo projeto "Açudes: Patrimônio da Comunidade de Santa Luzia", da professora Erisdê Borges, uma das vencedoras do I Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

BRINCAR DE LER - bola, boneca, livro, peteca: o berço de um futuro leitor


Quando um bebê começa a ser gerado no útero da mãe, e coloniza o coração das famílias à sua volta, imediatamente nascem expectativas e inquietações. Uma série de providências e cuidados especiais iniciam uma rotina especial para acolher esta nova vida. A mãe faz exercícios, yoga, drenagem linfática, começa a cantar e ler para o filho que vai chegar, arrematando cuidadosamente uma cumplicidade para toda a vida. No enxoval do bebê constam itens fundamentais como fraldas, lençóis, toalhas, mamadeiras, termômetro, brinquedos, livros.....

No útero da mãe, o bebê já participa do ambiente que o hospeda. Ambos estão profundamente ligados. Ele ouve a sua voz e reage aos estímulos proporcionados. Seus corações batem simultaneamente. Quando nasce, é envolto em acalantos e ouve belas histórias. Agora, apesar de intimamente ligado à mãe, também reconhece os carinhos da família. Nos banhos matinais, a água morna e a suavidade do toque das mãos de seus cuidadores dão o tom aconchegante ao ambiente. E para que tudo fique divertido – brincadeira é coisa séria para criança, é seu meio de reconhecer o mundo que o cerca –, bóiam em sua banheira bichinho de borracha e livrinho de plástico, coloridos. Aos poucos, o bebê manuseia estes objetos, reproduzindo o gesto cotidiano de seus cuidadores.

Os meses avançam e a interação do bebê com o mundo é cada vez mais intensa. Rola pelo chão, instigado por objetos que chamam a sua atenção, exercitando os seus “acessórios” –tronco, braços, pernas, pés, mãos. Tudo deve ser suave ao toque do bebê, os brinquedos e livrinhos são de panos coloridos. Curioso, observa atentamente os movimentos realizados por seus pais e cuidadores. Com a bola, pra lá e pra cá; o carrinho, que vai e vem; a boneca, que se aproxima e se afasta; as páginas do livro que abrem e fecham, em perfeita conexão com a voz dos adultos que lhe ofertam esta brincadeira.

Os objetos passam da mão à boca – fase oral, os bebês literalmente experimentam o mundo que os cerca! Começam a engatinhar ao som de canções que tocam e são cantadas – tentam imitar os sons emitidos pelos seus cuidadores. Passam sobre tudo que está no caminho: almofadas, brinquedos e livros cartonados, com muita imagem e muita cor. Levam-nos à boca e o seguem com os olhos fascinados na medida em que um adulto vira suas páginas revelando novas formas, cores, novos sons. Assim vai aprendendo que a vaca faz “muuuu”, o galo faz “cocoricó”, o cachoro faz “au au”, as buzinas fazem “bi bi”. O mundo é divertido, colorido, aconchegante e tem sempre alguém pronto pra lhe doar tempo, cuidado, amor e muitos, muitos sons. Devagar ele aprende que esses sons são palavras e que as palavras são “imagens” para se ver, ouvir, falar e escrever.

As preferências vão surgindo ao longo das experimentações: sabores, cores, músicas, brinquedos, histórias, lugares, pessoas – os vínculos mais estreitos, claro, são reservados à mãe, ao pai, aos irmãos, à família e aos cuidadores. Com eles aprenderá que o mundo é belo e as pessoas são boas. Olha e escuta atentamente, repete sons e atitudes. Em seu baú de brinquedos tem bola, boneca, livro, peteca, monta-monta, bichinhos, carrinho ....ah! os livros com sons ao toque do dedinho, texturas diferentes e pop ups são os mais curtidos – como é igualmente curtida a presença do cuidador, sua voz, seu toque, seu carinho. Todo objeto, brinquedo e livro, são meios de transporte de cuidados e de afeto.

Pesquisas revelam que o gosto da leitura tem influência direta das mães (41%), dos professores (36%) e dos pais (24%). Portanto, proporcionar ao bebê uma rotina de contatos com a leitura em voz alta e com os livros, além de garantir-lhe um melhor desempenho escolar, terá papel importantíssimo na elaboração de suas emoções e na construção da sua base afetiva.

E até parece que eles já nascem sabendo disso, como nos revelou o Petrus, garoto de 13
anos de Laranjal Paulista (SP) : “Podemos não aprender a ler e escrever na barriga da mãe, mas lá é que as nossas palavras são feitas, e quando nascemos elas estão somente esperando em nossa boca para sair e se soltarem no mundo”.

P.S.: em recente artigo publicado na revista científica “PLoS”, uma equipe de pesquisadores da Universidade Groningen, na Holanda, confirmou o que os amantes da literatura não cansam de afirmar: um bom livro pode ser tão emocionante quanto um filme, ou mesmo quanto a vida real. De acordo com a pesquisa, a área do cérebro ativada quando uma pessoa lê e imagina uma cena é a mesma que é ligada quando a imagem está em uma tela de cinema ou quando sentimos uma emoção.


Christine Fontelles
Diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Estudo comprova que criança que lê mais escreve melhor

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11/01/2010 - 17h05
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da Livraria da Folha
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Está comprovado que as crianças que lêem e escrevem mais são melhores na leitura e na escrita. E escrevendo posts de blogs, atualizações de status, mensagens de texto, mensagens instantâneas, e todas as coisas semelhantes, motivam crianças a ler e escrever.

No mês passado, o "The Nacional Literancy Trust", Fundo Nacional de Alfabetização do Reino Unido, divulgou o resultado de uma pesquisa com 3 mil crianças. Eles observaram a correlação entre o engajamento das crianças com as mídias sociais e seu conhecimento da leitura e da escrita.

No resultado eles perceberam que as mídias sociais têm ajudado as crianças a se tornarem mais literatas. Além disso, a Eurostat, organização estatística da Comissão Europeia, recentemente publicou uma matéria mostrando a correlação entre educação e atividade online, que indicou que a atividade online aumentou com o nível de atividade formal (os fatores sócio-economicos estão, é claro, influenciando potencialmente).