quinta-feira, 30 de setembro de 2010
E-books podem estimular mais crianças a ler, aponta estudo
O tempo que as crianças passam lendo livros por diversão diminui conforme elas utilizam celulares e outros aparelhos de tecnologia móvel, mas os e-books (livros digitais) podem trazê-las de volta à literatura, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira.
O estudo, conduzido pelo grupo de mídia e educação Scholastic e pela empresa de consultoria em pesquisa e marketing Harrison Group, também concluiu que os pais estão preocupados que o maior acesso à tecnologia pode limitar o tempo de leitura ou com a família.
Cerca de 40% dos pais acreditam que o tempo que as crianças permanecem online ou utilizando dispositivos móveis reduziria o período gasto com livros ou atividades físicas. Trinta e três por cento mostraram receio de que a tecnologia leve as crianças a passar menos tempo com a família.
Porém, o estudo também descobriu que a tecnologia pode na verdade estimular uma criança a ler. Das crianças pesquisadas, 57% disseram que ficariam interessadas em ler no e-book.
Cerca de um terço das crianças disseram que leriam mais livros por prazer caso os e-books estivessem a seu alcance. Mas 66% afirmaram que continuariam a ler livros impressos mesmo com uma maior disponibilidade do e-book.
Francie Alexander, vice-presidente acadêmica da Scholastic, afirmou em comunicado que os resultados do estudo mostram que os e-books podem ter um importante papel educacional.
"Se pudermos pegar um terço de todas as crianças, muitas delas leitoras forçadas, para que gastem mais tempo lendo por prazer nos e-books, esse tempo adicional gasto construindo fluência e vocabulário não só as ajudaria a se tornarem mais proficientes na leitura, mas também as auxiliaria a acompanhar textos mais complexos que elas encontrarão no ensino médio e na universidade", disse ela.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Incentivo à leitura leva a um aumento na média de Língua Portuguesa
Via Blog do Galeno
Incentivo à leitura
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Biblioteca comunitária perto da escola melhora desempenho do aluno, diz pesquisa
Carolina Stanisci - Estadão.edu 31 de agosto de 2010
Pesquisa divulgada na última terça-feira concluiu que o rendimento de alunos de escolas no entorno de bibliotecas comunitárias é maior do que a média. O impacto da leitura na vida dos estudantes repercutiu tanto na taxa de abandono, que diminiu, como na aprovação, que aumentou.
O estudo, encomendado pela ONG Ecofuturo a pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), analisou 41 bibliotecas localizadas nos estados da Bahia e Pernambuco participantes do projeto Ler é Preciso, tocado pela organização não governamental.
Além de indicadores físicos da biblioteca (infraestrutura, conservação das publicações, entre outros), a pesquisa se debruçou, em uma segunda fase, sobre o impacto na vida dos estudantes. E foi onde descobriu números reveladores: entre 2000 e 2005, a taxa de abandono dos alunos diminuiu drasticamente, de 17,1% para 8,8%. Já a taxa de aprovação aumentou de 66,% para 72,7%.
Para Christine Castilho Fontelles, diretora de educação e cultura da Ecofuturo, a pesquisa foi fundamental para saber se as bibliotecas, equipadas com acervos novos de literatura infantil e juvenil pela ONG, estavam sendo bem cuidadas. "A gente queria saber se estava formando o leitor", conta. "Há uma parceria com poder público, mas não existe cultura de biblioteca, então é importante que a gente interaja criando modelo de excelência."
O pesquisador do Ipea Ricardo Paes de Barros ficou impressionado com os resultados. Para ele, que usou como comparativo escolas sem bibliotecas comunitárias próximas, chama a atenção o fato de as bibliotecas serem para a comunidade, e não exclusivas para a escola. "Fora do entorno têm redução metade disso", disse. "São resultados importantes para analisar, já que o Brasil está investindo bem mais em bibliotecas públicas."
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Leitura e aprendizado - Frei Betto
No Brasil se lê, em média, 1,3 livro por ano. Nos EUA, 11; na França, 7; e na Argentina, 3,2. E há em nosso país 2.980 livrarias, uma para cada 64 mil habitantes. A Unesco considera razoável uma livraria para cada 10 mil habitantes.
O Ministério da Cultura garante que até o fim do governo Lula serão inauguradas bibliotecas públicas em 2 mil municípios. Tenho minhas dúvidas. O prazo para captar recursos do governo federal destinados à revitalização de bibliotecas públicas se encerrou em meados de julho. Apenas 300 dividirão os R$ 30,6 milhões liberados.
O que significa que cada município, com apenas R$ 102 mil, deverá modernizar instalações, atualizar o acervo, melhorar o acesso de leitores portadores de deficiências e ainda criar bibliotecas ramais (em distritos, bairros da periferia e zona rural). Também duvido, a menos que as prefeituras descubram como multiplicar dinheiro e capacitação de pessoal.
Há, em todo o país, 4.763 bibliotecas. Uma para cada 33 mil habitantes. Na Argentina há 1 para cada 17 mil. Em 420 cidades brasileiras não existem bibliotecas ou se encontram fechadas. As nossas emprestam, em média, apenas 296 livros por dia, o que é muito pouco. E só 29% delas têm acesso à internet. Os dados são do Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, realizado pela Fundação Getulio Vargas a pedido do Ministério da Cultura.
Pesquisa do Observatório do Livro revela que o alto preço é, para 67% dos leitores, a principal razão de se recorrer à copia xerox de um exemplar, embora isso seja proibido por lei. Outros 20% justificam a ilegalidade por não encontrarem o título nas livrarias. E 13% alegam que, nas faculdades, é mais fácil xerocar do que procurar o livro a ser emprestado ou comprado.
Segundo a Unesco, o Brasil tem 13,8 milhões de analfabetos. Sem contar os analfabetos funcionais, um universo que engloba 54% da população entre 15 e 64 anos que cursaram até a 4ª série e, no entanto, não são capazes de compreender textos longos e muito menos redigir uma carta sem graves erros de concordância e sintaxe.
Nos EUA, pesquisa das universidades de Nevada e da Califórnia constatou que quanto mais livros há numa casa, mais anos de escolaridade atingirão as crianças que a habitam. O nível cultural e de escolaridade dos pais também influencia, porém menos que a disponibilidade de livros no lar. Além de serem úteis no aprendizado escolar, ampliam o vocabulário e a imaginação, o conhecimento de história e geografia e a capacidade de refletir e argumentar.
Hoje se recomenda a leitura de histórias infantis desde a primeira semana de vida do bebê. Ainda que se tenha a impressão de total desinteresse da parte dele, na verdade isso o ajuda a aprimorar as sinapses cerebrais, ou seja, a conexão entre os 100 bilhões de neurônios do cérebro. O que é meio caminho andado para que, na idade da razão, ele seja mais capaz de construir sínteses cognitivas, sabendo relacionar as partes com o todo e fragmentar o todo em suas partes constituintes.
Não basta apenas ler a história. É preciso interagir com a criança: mostrar figuras, fazer perguntas, reproduzir sons sugeridos, imitar personagens etc.
Vale recordar que assimilamos 90% de tudo que é importante aprender para fazer de cada um de nós um ser humano até os seis anos de idade: comer, andar, falar, distinguir pessoas e relações de parentesco, discernir ocasiões de perigo ou risco, aprimorar o instinto de sobrevivência etc.
Crianças que escutam histórias desde cedo enriquecem seu vocabulário e desenvolvem a capacidade de compreensão e aprendizado. Pesquisas comprovam que o hábito da leitura em casa possibilita melhor aproveitamento escolar.
O grande perigo, hoje, é ver crianças e adolescentes "sequestrados" intelectualmente pela hipnose televisiva de baixa qualidade ou navegando à deriva na internet. No caso da TV, o risco de abdicarem da própria imaginação em prol das fantasias projetadas no monitor. Na adolescência, poderão buscar suprir a carência através das drogas.
O risco do uso abusivo da internet, sobretudo quando se navega sem direção, é ser bombardeado por um fluxo de estímulos e informações sem estrutura cognitiva e moral para selecioná-los ou discerni-los. E é bom lembrar que ver o que aparece na TV e na tela do computador não equivale a ler e, muito menos, a escrever.
Bem cantavam os versos de Castro Alves, no século 19: "Oh! Bendito o que semeia / Livros... livros a mão cheia / E manda o povo pensar! / O livro caindo n'alma / É germe que faz a palma / É chuva que faz o mar."
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Minas é um dos estados que menos consome livros
Pesquisa do Ibope indica que mineiros gastam menos com livros que fluminenses, paulistas e amazonenses. Belo-horizontino perde feio para moradores de Senador José Bento e de Luisburgo
Fonte: DIVIRTA-SE, Portal UAI - 17/08/2010
Susto
AMAZONAS
Senador José Bento brilhou
Veja os números da pesquisa
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Preços dos livros em queda
Foi apresentada no último dia 10 pesquisa sobre o setor livreiro realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) com a coordenação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (FIPE/ USP). Destaque para tendência de preços de queda e o aumento das vendas. Os dados divulgados no site da CBL mostram que “a venda de livros cresceu, em Reais, 4,3% e, em exemplares vendidos, 8,3%”. Também houve um aumento de 5% entre os lançamentos de títulos de autores nacionais.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Pesquisa revela que os brasileiros estão lendo mais
Pesquisa realizada pela Associação Nacional de Livrarias (ANL) aponta um aumento de 11% no número de livrarias brasileiras em relação ao que havia em 2006 e que os brasileiros estão agora lendo 1,9 livros por ano. Em depoimento ao jornal Bom Dia Brasil , daTV Globo , Vitor Tavares, presidente da ANL, diz que este índice ainda é muito baixo. “Ainda é 1,9 livro/ano lido por habitante ano. Isso é muito pouco e muito aquém de países latino-americanos. Na Argentina, se lê em torno de cinco. No Chile, três. Na Colômbia, se lê 2,5 livros por ano”, declara. O levantamento também mostra que os títulos infantis e juvenis são os mais vendidos e que a maioria das livrarias (56%) não faz vendas pela internet.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
O raio x das livrarias
PublishNews - 29/07/2010 - Por Maria Fernanda Rodrigues
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
EUA: Biblioteca em casa deixa crianças mais inteligentes
Um grupo de sociólogos das universidades de Nevada em Las Vegas e da Califórnia em Los Angeles realizou o maior estudo internacional sobre a influência dos livros na educação escolar. Os resultados mostram que, independentemente do nível educacional dos pais, do status socioeconômico e do regime político, quanto mais livros houver em uma casa, mais anos de escolaridade atingirá a criança que crescer nela. Participaram do estudo mais de 70 mil pessoas de 27 países, entre os quais Estados Unidos, China, Rússia, França, Portugal, Chile, África do Sul (o Brasil não foi incluído). A conclusão foi publicada na revista Research in Social Stratification and Mobility.
No artigo, os autores explicam que o nível cultural e educacional dos pais também influencia a escolaridade atingida pela prole, mas nesse caso a correlação é mais fraca do que com o tamanho físico do acervo familiar de livros. Os resultados mostram também como o gosto pela leitura tende a diminuir diferenças sociais. Nos lares mais modestos, o efeito de cada acréscimo ao acervo no futuro acadêmico da criança é mais acentuado do que a adição de um volume a uma biblioteca mais ampla.Apesar de a tendência ter sido observada em todos os países, houve diferenças importantes entre eles.
Nos Estados Unidos, na França e na Alemanha, uma biblioteca com cerca de 500 volumes representou acréscimo de dois a três anos na escolaridade das crianças, comparando com uma casa sem livros. Na Espanha e na Noruega, o número saltou para até cinco anos e na China atingiu o máximo, entre seis e sete anos.
Segundo os pesquisadores, o regime comunista poderia explicar o resultado chinês, pois em um país onde há mais restrições à liberdade individual os livros seriam bens culturais ainda mais valorizados pela família. O mesmo raciocínio poderia se aplicar aos números semelhantes verificados em países do Leste Europeu (que formavam o bloco comunista) e a África do Sul, que viveu décadas sob o apartheid. Os casos analisados foram de pessoas que cresceram em meio a esses regimes. “A leitura é uma ótima fonte para os oprimidos, seja qual for sua cor, seus opressores e as circunstâncias históricas”, escreveram.
O estudo é uma prova irrefutável de que “uma casa onde os livros são valorizados fornece à criança ferramentas que são diretamente úteis no aprendizado escolar, como vocabulário, imaginação, amplo horizonte em história e geografia, a compreensão da importância da evidência no argumento, e muitas outras”. E confirma os famosos versos de Castro Alves, do século 19: “Oh! Bendito o que semeia/ Livros... livros a mão-cheia.../ E manda o povo pensar!/ O livro caindo n’alma/ É germe – que faz a palma./ É chuva - que faz o mar.”
terça-feira, 13 de julho de 2010
Feiras do Livro - Frei Betto
Participei, nos últimos meses, de várias ferias do livro e outros eventos literários, como o Programa TIM Grandes Escritores. Entre outubro e novembro passados, estive nas feiras de Gravataí (RS), Caxias do Sul (RS), Belém (PA) e no Fórum das Letras, em Ouro Preto (MG). Em todos esses eventos constatei o empenho dos promotores em promover o livro, despertar o interesse pela literatura e facilitar o contato entre leitores e escritores.
Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros. www.freibetto.org http://www.freibetto.org
terça-feira, 6 de julho de 2010
Gerações Interativas anuncia segunda edição da pesquisa com jovens e adolescentes
Crianças e adolescentes estão cada vez mais conectados às chamadas “telas digitais”: Internet, celular, televisão e videogames. Com que frequência e de que forma costumam utilizá-las em seu cotidiano? Para analisar esse fenômeno e chamar a atenção de pais e educadores para a importância da mediação educativa, nasce o projeto iberoamericano Gerações Interativas, idealizado pela Universidade de Navarra (ES) em parceria com a Telefônica.
O Gerações Interativas tem como principal ação a realização de uma pesquisa bianual de caráter comportamental em escolas espanholas e latino-americanas que visa conhecer em detalhe o quanto os alunos de 6 a 18 anos estão envolvidos com as mídias digitais, e os respectivos impactos desse hábito nos meios familiar e escolar.
No Brasil, a segunda edição da pesquisa Geração Interativa está sendo realizada desde 20 de maio de 2010. E a sua escola pode participar! Basta ter computadores conectados à Internet. A pesquisa é aplicada por meio de um questionário on line que os estudantes respondem, anonimamente, em suas escolas. Cada escola recebe uma senha de acesso para ser utilizada por todos os alunos. Para receber essa senha, a escola deve preencher um formulário na Internet (clique aqui para acessar o formulário).
A aplicação da pesquisa exige alguns cuidados. Assim o EducaRede elaborou um Roteiro para o professor, com orientações que vão desde como planejar essa ação, passando por dicas para ajudar os alunos a responderem o questionário, até o compartilhamento dos resultados com o grupo.
A escola participante da pesquisa recebe relatórios personalizados sobre os dados coletados na sua instituição. A partir desse diagnóstico, espera-se que a escola incorpore em seu planejamento pedagógico uma proposta de uso dessas informações para desenvolver atividades voltadas para educadores, alunos e suas famílias relacionadas ao uso responsável das telas digitais. O Foro Generaciones Interactivas, que tem o EducaRede Brasil como parceiro local, oferece assessoria, materiais, propostas de atividades e acompanha a distância essa tarefa.
Em 2009, a primeira edição desse estudo resultou na publicação A Geração Interativa na Ibero-América.
Dicas, materiais de apoio e outras informações, aqui.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Em escala de zero a dez, educação infantil recebe 3,4
O Estado de São Paulo - 14 de junho de 2010
A educação infantil brasileira merece nota 3,4, numa escala de zero a dez. A conclusão é da pesquisa "Educação Infantil no Brasil: avaliação qualitativa e quantitativa", realizada pela Fundação Carlos Chagas em parceria com o Ministério da Educação e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, cujos resultados serão apresentados hoje e amanhã.
Obtido com exclusividade pelo Estado, o estudo mediu a qualidade da creche (de 0 a 3 anos) e da pré-escola (4 e 5 anos) em seis capitais de todas as regiões do País: Belém, Campo Grande, Florianópolis, Fortaleza, Rio de Janeiro e Teresina.
A nota 3,4 demonstra que a qualidade do ensino infantil tem nível básico (de 3 a 5) - os outros estágios eram: inadequado (1 a 3), adequado (5 a 7), bom (7 a 8,5) e excelente (8,5 a 10).
Foram avaliados 43 aspectos divididos nas seguintes áreas: espaço e mobiliário (média 3,1); rotinas de cuidado pessoal (4,1); linguagem e raciocínio (3,7); atividades (2.3); interação (5,6); estrutura do programa (2,5) e pais e equipe das escolas (3,6). É a primeira vez que se tem acesso a tópicos aprofundados das condições do ensino infantil no País.
O aspecto que recebeu a nota mais baixa (1,6) está dentro da área de atividades e avalia a disponibilidade de materiais para aulas de ciências, como coleções de objetos naturais e livros e jogos temáticos. Já o que recebeu a nota mais alta, 6,7, pertence ao quesito interação e analisa se as relações entre adultos e crianças são empáticas.
Para Marcelo Alfaro, especialista em educação do BID no Brasil, os resultados baixos não surpreendem. Segundo ele, a área mais problemática é a chamada "fundamentalização" do ensino infantil (abordagem semelhante à do ensino fundamental). "Isso é observável, por exemplo, na disposição das carteiras nas salas de crianças 4 e 5 anos", afirma. "É essencial construir uma identidade própria para a nossa educação infantil."
A solução para o quadro negativo, de acordo com Alfaro, está num pacote de medidas que abrangem desde investimentos em materiais a melhorias na formação dos professores. "A parceria entre o MEC e as secretarias municipais também é um tema central", explica. "Certamente a expansão da obrigatoriedade do ensino às crianças de 4 e 5 anos coloca muitos desafios, mas a meta deve ser universalizar com qualidade." /M. M.
Índices baixos
2,9
é a nota dada às refeições e merendas servidas nas escolas
4,4
é a nota que as práticas de saúde nas escolas receberam
2,6
é a nota dada aos livros usados
terça-feira, 8 de junho de 2010
Brasil precisa de 25 bibliotecas por dia no ensino fundamental
Simone Harnik
Da Redação do Todos Pela Educação, 02-06-2010
Baixe as tabelas com o diagnóstico em nosso site
Um estudo do Todos Pela Educação, com base em dados do Censo da Educação Básica 2008, mostra que, para o Brasil se ajustar à nova norma terão de ser construídas mais de 93 mil bibliotecas na próxima década só no ensino fundamental - são 9 mil novos acervos por ano ou mais de 25 por dia. Isso porque, nesta etapa da Educação Básica, apenas 39,3% dos colégios do país possuem seus próprios acervos.
A Educação Infantil ocupa o segundo lugar no ranking do "drama da falta de bibliotecas". Para cumprir a nova lei, teriam de ser instalados mais de 21 acervos por dia, nesta etapa do ensino.
Para Luís Norberto Pascoal, conselheiro do Todos Pela Eduação, "a lei é boa". "Precisa agora deregulamentos e incentivos corretos que coloquem a nação como parceira e faça desse espaço deleitura um centro de cidadania para os alunos, para os pais e comunidade no entorno de cada escola", afirma ele.
No entanto, ele avisa: "Se formos esperar que a lei seja cumprida, vai demorar para chegarmos lá. Mas se a sociedade como um todo ajudar e se mobilizar, será muito mais fácil e rápido", diz.
Na avaliação de Christine Castilho Fontelles, diretora do Instituto Ecofuturo, a própria existência da lei é um marco regulatório. "Ela dá garantia aos direitos à informação", aponta. "No entanto, dez anos é muito tempo para que ela seja cumprida. Porque os déficits de falta de contato com os livros vão continuar acontecendo."
Na avaliação de Christine, o problema é pior porque a falta de livros atinge os primeiros anos da Educação Básica. "Assim, o problema só se potencializa e vira um círculo vicioso."
Públicas x Particulares
Em geral, a situação das escolas particulares está melhor do que a das públicas, no quesito existência de acervo. Mas na Educação Especial, por exemplo, há mais de 1.300 escolas sem sua própria coleção de livros. E só 39,3% delas têm biblioteca, percentual que está abaixo do de escolas públicas nessa modalidade de ensino (72,3%).
No ensino fundamental, embora o cenário das instituições privadas esteja melhor do que o das públicas, faltam ainda 3.945 acervos.
Qual é o maior desafio?
Na rede pública, o maior desafio é a construção de bibliotecas para as escolas municipais. Instituições federais já estão quase regularizadas - no entanto, elas são minoria na Educação Básica.
Dois dados alarmantes das redes municipais são a quantidade de acervos nas escolas de Educação Infantil e do Ensino Fundamental: apenas 18,2% e 22,9% delas, respectivamente, possuem bibliotecas.
Número de profissionais
Isso tudo sem contar o número de funcionários especializados que deverão cuidar das coleções. Hoje, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2008, há um total de 21,6 mil profissionais habilitados. No país, há aproximadamente 200 mil escolas - o que indica uma necessidade de formação de novos gestores para as bibliotecas escolares.
O Todos Pela Educação é um movimento da sociedade civil, apartidário, que reúne lideranças sociais, educadores, gestores públicos e representantes da iniciativa privada, com o objetivo de ajudar o País a garantir uma Educação pública de qualidade para todas crianças e jovens brasileiros. Para receber o boletim Sugestão de Pauta, escreva para contato@todospelaeducacao.org.br
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Por que é importante escrever bem?
Desde que o homem começou a organizar o pensamento por meio de registros, a escrita foi se desenvolvendo e ganhando extrema relevância nas relações sociais, na difusão de ideias e informações. Como diz o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, ela até ficou ameaçada com o advindo do telefone, da televisão e do cinema, mas logo recuperou sua força. “O que aconteceu com a expressão escrita é uma coisa curiosa. Ela parecia agonizante. Eis que surge a internet, e-mail, o blog, o twitter, e a escrita recupera-se do estado agônico de modo inesperado e espetacular. Quem insiste em prescindir dela está fora do mundo”, opina o jornalista e colunista da revista Veja. “Nem é preciso que pais, ou professores, venham a incentivar os alunos. O aparato tecnológico que os cerca fala por si”.
O Instituto Ecofuturo é um caso assim: criou um concurso de redação destinado a estudantes de escolas públicas e privadas, que visa, por meio da escrita, estimular a manifestação da criatividade e a autoexpressão. Na sexta e última edição do concurso, mais de 30 mil redações foram recebidas e uma pesquisa, ao final, foi realizada. O resultado instiga: 22% dos alunos vencedores acreditam estar escrevendo mais depois do concurso e 35% estão mais aplicados nos estudos. Qual seria a explicação para isso? “Uma delas é que o aluno foi encantado com a possibilidade de se pronunciar, de ter uma escrita autoral, e se viu reconhecido, capaz”, explica Christine Fontelles, diretora de Educação e Cultura e Comunicação no Instituto Ecofuturo, organização não governamental mantida pelo Grupo Suzano.
Ajudar o filho em fase de alfabetização
Pais que usam a escrita dentro de casa, como em bilhetes, recados ou cartões de aniversário, por exemplo, podem estar ajudando os filhos a entenderem mais cedo função social da escrita (e consequentemente da leitura), e assim colaborar com o processo de alfabetização da criança. “Ler e escrever são habilidades que se desenvolvem pela prática, e esta prática precisa ser oferecida de forma adequada. Em casa, é importante aproveitar os momentos de interação entre pais e filhos e transmitir bons exemplos, com situações de leitura e escrita”, opina Christine Fontelles, diretora de Educação, Cultura e Comunicação do Instituto Ecofuturo.
Incluir-se socialmente
A escrita, bem como a leitura, é uma habilidade que capacita o cidadão para atuar em todos os âmbitos sociais. Quando uma pessoa aprende a escrever com clareza, ela assume seu lugar num mundo que, cada vez mais, precisa da escrita para se comunicar. Assim, a escrita é um recurso indispensável à cidadania e um meio para a inclusão social e digital. Mas não basta apenas saber escrever (e ler). É preciso saber fazer uso desse recurso em práticas sociais - para se manifestar, se comunicar, acessar os meios digitais, blogs, e-mails, etc. “Todo educador sabe que o iletrismo aumenta as limitações dos indivíduos. No passado, saber ler e escrever eram sinônimos de dignidade e de independência de espírito. Hoje, a multiplicação de práticas de leitura – jornais, revistas, livros e internet - só facilita o hábito e as chances de inclusão”, afirma Mary del Priore, autora de “Histórias das Mulheres no Brasil” e “Histórias das Crianças no Brasil”.
Ler mais!
O hábito da escrita não pode ser dissociado do hábito da leitura. Se quem lê mais escreve mais, o inverso também é verdadeiro: quem escreve mais também vai querer ler mais. “É lendo que se aprende a escrever”, declara o jornalista Roberto Pompeu de Toledo. “O que os pais, mestres, etc, devem incentivar, não é escrever - é escrever bem. E incentivar a escrever bem não é outra coisa senão incentivar a ler. É lendo que se aprende a escrever”. A historiadora e escritora Mary Del Priore concorda: “Para se gozar o prazer de bem escrever é preciso ler. E investir na formação e na energia do trabalho com as palavras”, complementa.
Examinar a própria história
Escrever blogs, diários, cartas ou fazer anotações particulares é uma forma de acessar reflexões e pensamentos pessoais, registrando-os, compartilhando-os e revisando-os sempre. O escritor Jorge Miguel Marinho diz: “escrever é uma forma de o indivíduo tornar a sua história individual matéria coletiva e a experiência humana só interessa mesmo quando procuramos estabelecer um elo de comunhão com os outros num diálogo permanente, revelando as mazelas da vida e suas porções de felicidade que, pela própria possibilidade de se poder escrever sobre elas, são sempre infinitamente maiores”. Sem contar que a escrita é um meio de se registrar as memórias de um povo, tanto sob o aspecto cultural, quanto artístico, político, social e religioso.
Manifestar-se
Escrever nos torna livres. Por meio da escrita é possível opinar, interagir, manifestar ideias, reivindicar direitos... “É pela palavra que o indivíduo se situa no mundo, expressa a leitura que faz dele, argumenta, discorda, enfim, atua com liberdade”, defende Christine Fontelles, co-responsável pela concepção e lançamento do Instituo Ecofuturo em dezembro de 2009.
Destacar-se profissionalmente
Escrever bem é um diferencial para qualquer profissional, pois é uma importante forma de comunicação. E-mails, relatórios ou outros documentos bem escritos fazem diferença no dia a dia, e na qualidade dos serviços prestados em quaisquer empresas. Assim, para ser um bom profissional é preciso manter contanto com todos os tipos de materiais de leitura, pois, como já foi dito, para ter uma boa escrita é preciso ser um leitor dedicado. “A leitura constante depura o gosto e o leitor naturalmente passa a exigir mais das palavras e da vida”, comenta Jorge Miguel Marinho, escritor premiado com o Jabuti de melhor livro juvenil de 2006 por Lis no peito - um livro que pede perdão (Editora Biruta).
Escapar da realidade cotidiana
Escrevendo, podemos ir para aonde quisermos. É um momento individual, em que você pode tanto conectar-se com a vida real quanto desconectar-se dela. A escrita oferece instrumentos para a reflexão, a dispersão e a expressão. Para o escritor e professor universitário Jorge Miguel Marinho, ler e escrever são experiências imperdíveis na escola da vida, que podem acontecer em qualquer momento e lugar.
Como melhorar sua escrita?
- Escreva bilhetes, cartas, e-mails. Quanto mais você treinar no dia-a-dia, melhor escreverá.- Brinque de palavras cruzadas, forca, stop, caça-palavras e outros jogos. Isso pode ajudá-lo a fixar a grafia correta.- Compre um dicionário – saber o significado das palavras, vai ajudá-lo a aumentar a qualidade do seu texto.- Leia sempre – quanto mais você ler mais vocabulário irá ganhar e a qualidade do seu texto aumentará. - Copie poemas, letras de música e bons textos. O exercício leva ao aperfeiçoamento. - Participe de redes sociais como o twitter, facebook e Orkut, evitando abreviações e grafias incorretas.
Frases sobre a importância de escrever
"A gente escreve como quem ama, ninguém sabe por que ama, a gente não sabe por que escreve também", Clarice Lispector
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Faturamento das livrarias deve crescer 11,87% em 2010
Do R7 -23/04/2010
Dificuldades
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terça-feira, 13 de abril de 2010
Retrato das bibliotecas do Brasil
Um retrato das bibliotecas do Brasil
O Ministério da Cultura pretende anunciar no próximo dia 23, Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor, o resultado da maior radiografia das bibliotecas públicas brasileiras já feita no País. O estudo foi encomendado à Fundação Getúlio Vargas e os dados, contabilizados no final do ano, estão sendo rechecados.O governo dá, assim, uma bela bola dentro.
O Dia D das bibliotecas
O Ministério da Cultura se deu até junho o prazo para zerar, finalmente, o número de cidades brasileiras sem bibliotecas (só para lembrar: eram 1.300 em 2003, segundo o IBGE). O problema é que cada vez que acha que identificou todos os municípios sem esse equipamento essencial para a vida nas cidades surge algum outro onde a biblioteca simplesmente fechou as portas.Será uma data com forte simbolismo para a leitura no País.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Bibliotecas Comunitárias contra o analfabetismo funcional
A liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos são valores humanos fundamentais e só podem ser alcançados quando todos os cidadãos estiverem informados para exercerem seus direitos democráticos e para desempenhar em um papel ativo na sociedade. (manifesto da UNESCO).
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Ainda sobre a mesma ideia, a diretora do Ecofuturo explica que o fato da comunidade participar ativamente faz com que as bibliotecas sejam mais visitadas. “Para nós é importantíssimo que a comunidade dialogue com o poder público, que se constitua um grupo misto de trabalho com pessoas de várias áreas da comunidade como: conselho tutelar, comércio local, agentes de saúde, educação e cultura”. Precisamos ter um grupo interdisciplinar que discuta e planeje a biblioteca em todos os seus aspectos, sejam administrativos, organizativos, até a parte de captação de novos participantes, além de programar atividades de leitura. Nós incentivamos muito para que eles trabalhem com as mídias locais (rádio comunitárias, jornais).Uma das últimas bibliotecas implantadas no Jardim Panorama, em São Paulo, desprovido de equipamentos culturais e de lazer, exigiu um trabalho muito delicado para construção da confiança de seus moradores. Cerca de 400 famílias residem ali, em uma comunidade que tem pouco espaço territorial e uma fraca infra-estrutura.
Marcos Rosa da Silva, presidente da União de Moradores da Favela Jardim Panorama e representante do poder público local, explica que a biblioteca é uma conquista valiosa para a comunidade. “Em uma localidade carente como a nossa, muitas vezes as pessoas colocam a leitura em segundo plano. Uma iniciativa como essa é extremamente importante para que os moradores do Jardim Panorama possam colocar os livros em sua vida. Literatura é fundamental para o desenvolvimento social do ser humano”, afirma.
“Encontramos secretários de Cultura ou de Educação que não estão nem aí e diretores de escolas com muita vontade de ter a biblioteca. Conciliar as duas pontas é difícil, mas não é impossível, porém leva mais tempo porque são necessárias diversas estratégias”, diz a diretora.
Christine acrescenta ainda que, a cada dia surgem novos ingredientes para serem adicionados ao Programa. “Criamos um movimento de sensibilização da sociedade sobre a importância de se oferecer literatura para bebês. E conseguimos em janeiro de 2009, a promulgação do dia da leitura, em 12 de outubro. O objetivo é que possamos reunir e catalisar as ações, porque existem inúmeras desenvolvidas pelo país, mas funcionam sem coordenação. Quanto mais informação se tem, melhor se pode desenvolver o trabalho de formação de leitura”, conclui.
Na mesma linha de atuação das bibliotecas implantadas pelo Ecofuturo, também merece ser ressaltado o programa São Paulo: um estado de leitores, lançado em 2003, pela Secretaria de Estado da Cultura, em parceria com as prefeituras locais e iniciativa privada.Desde o lançamento do programa, várias empresas consideraram o projeto extremamente importante e participaram com a doação de uma ou mais bibliotecas para os municípios. No esquema tripartite montado, os padrinhos contatados pela Secretaria fornecem um computador e um acervo básico de 600 ou 1000 títulos definidos pelo Governo, dependendo do número de habitantes dos municípios. As atividades de estímulo à leitura ficam sob a responsabilidade da Secretaria e às Prefeituras coube oferecer a área para a implantação da biblioteca e o profissional para operá-la.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Água poluída mata mais que violência no mundo, segundo a ONU
Da Reuters
A população mundial está poluindo os rios e oceanos com o despejo de milhões de toneladas de resíduos sólidos por dia, envenenando a vida marinha e espalhando doenças que matam milhões de crianças todo ano, disse a ONU nesta segunda-feira.
“A quantidade de água suja significa que mais pessoas morrem hoje por causa da água poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras”, disse o Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês).
Em um relatório intitulado “Água Doente”, lançado para o Dia Mundial da Água nesta segunda-feira, o Unep afirmou que dois milhões de toneladas de resíduos, que contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, causaram gigantescas “zonas mortas”, sufocando recifes de corais e peixes.
O resíduo é composto principalmente de esgoto, poluição industrial e pesticidas agrícolas e resíduos animais.
Segundo o relatório, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90 por cento da água de esgoto sem tratamento.
A diarréia, principalmente causada pela água suja, mata cerca de 2,2 milhões de pessoas ao ano, segundo o relatório, e “mais de metade dos leitos de hospital no mundo é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada.”
O relatório recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos multimilionários para o tratamento de esgoto.
Também sugere a proteção de áreas de terras úmidas, que agem como processadores naturais do esgoto, e o uso de dejetos animais como fertilizantes.
“Se o mundo pretende… sobreviver em um planeta de seis bilhões de pessoas, caminhando para mais de nove bilhões até 2050, precisamos nos tornar mais inteligentes sobre a administração de água de esgoto”, disse o diretor da Unep, Achim Steiner. “O esgoto está literalmente matando pessoas.”
Conheça também o belo projeto "Açudes: Patrimônio da Comunidade de Santa Luzia", da professora Erisdê Borges, uma das vencedoras do I Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
BRINCAR DE LER - bola, boneca, livro, peteca: o berço de um futuro leitor
Quando um bebê começa a ser gerado no útero da mãe, e coloniza o coração das famílias à sua volta, imediatamente nascem expectativas e inquietações. Uma série de providências e cuidados especiais iniciam uma rotina especial para acolher esta nova vida. A mãe faz exercícios, yoga, drenagem linfática, começa a cantar e ler para o filho que vai chegar, arrematando cuidadosamente uma cumplicidade para toda a vida. No enxoval do bebê constam itens fundamentais como fraldas, lençóis, toalhas, mamadeiras, termômetro, brinquedos, livros.....
No útero da mãe, o bebê já participa do ambiente que o hospeda. Ambos estão profundamente ligados. Ele ouve a sua voz e reage aos estímulos proporcionados. Seus corações batem simultaneamente. Quando nasce, é envolto em acalantos e ouve belas histórias. Agora, apesar de intimamente ligado à mãe, também reconhece os carinhos da família. Nos banhos matinais, a água morna e a suavidade do toque das mãos de seus cuidadores dão o tom aconchegante ao ambiente. E para que tudo fique divertido – brincadeira é coisa séria para criança, é seu meio de reconhecer o mundo que o cerca –, bóiam em sua banheira bichinho de borracha e livrinho de plástico, coloridos. Aos poucos, o bebê manuseia estes objetos, reproduzindo o gesto cotidiano de seus cuidadores.
Os meses avançam e a interação do bebê com o mundo é cada vez mais intensa. Rola pelo chão, instigado por objetos que chamam a sua atenção, exercitando os seus “acessórios” –tronco, braços, pernas, pés, mãos. Tudo deve ser suave ao toque do bebê, os brinquedos e livrinhos são de panos coloridos. Curioso, observa atentamente os movimentos realizados por seus pais e cuidadores. Com a bola, pra lá e pra cá; o carrinho, que vai e vem; a boneca, que se aproxima e se afasta; as páginas do livro que abrem e fecham, em perfeita conexão com a voz dos adultos que lhe ofertam esta brincadeira.
Os objetos passam da mão à boca – fase oral, os bebês literalmente experimentam o mundo que os cerca! Começam a engatinhar ao som de canções que tocam e são cantadas – tentam imitar os sons emitidos pelos seus cuidadores. Passam sobre tudo que está no caminho: almofadas, brinquedos e livros cartonados, com muita imagem e muita cor. Levam-nos à boca e o seguem com os olhos fascinados na medida em que um adulto vira suas páginas revelando novas formas, cores, novos sons. Assim vai aprendendo que a vaca faz “muuuu”, o galo faz “cocoricó”, o cachoro faz “au au”, as buzinas fazem “bi bi”. O mundo é divertido, colorido, aconchegante e tem sempre alguém pronto pra lhe doar tempo, cuidado, amor e muitos, muitos sons. Devagar ele aprende que esses sons são palavras e que as palavras são “imagens” para se ver, ouvir, falar e escrever.
As preferências vão surgindo ao longo das experimentações: sabores, cores, músicas, brinquedos, histórias, lugares, pessoas – os vínculos mais estreitos, claro, são reservados à mãe, ao pai, aos irmãos, à família e aos cuidadores. Com eles aprenderá que o mundo é belo e as pessoas são boas. Olha e escuta atentamente, repete sons e atitudes. Em seu baú de brinquedos tem bola, boneca, livro, peteca, monta-monta, bichinhos, carrinho ....ah! os livros com sons ao toque do dedinho, texturas diferentes e pop ups são os mais curtidos – como é igualmente curtida a presença do cuidador, sua voz, seu toque, seu carinho. Todo objeto, brinquedo e livro, são meios de transporte de cuidados e de afeto.
Pesquisas revelam que o gosto da leitura tem influência direta das mães (41%), dos professores (36%) e dos pais (24%). Portanto, proporcionar ao bebê uma rotina de contatos com a leitura em voz alta e com os livros, além de garantir-lhe um melhor desempenho escolar, terá papel importantíssimo na elaboração de suas emoções e na construção da sua base afetiva.
E até parece que eles já nascem sabendo disso, como nos revelou o Petrus, garoto de 13
anos de Laranjal Paulista (SP) : “Podemos não aprender a ler e escrever na barriga da mãe, mas lá é que as nossas palavras são feitas, e quando nascemos elas estão somente esperando em nossa boca para sair e se soltarem no mundo”.
P.S.: em recente artigo publicado na revista científica “PLoS”, uma equipe de pesquisadores da Universidade Groningen, na Holanda, confirmou o que os amantes da literatura não cansam de afirmar: um bom livro pode ser tão emocionante quanto um filme, ou mesmo quanto a vida real. De acordo com a pesquisa, a área do cérebro ativada quando uma pessoa lê e imagina uma cena é a mesma que é ligada quando a imagem está em uma tela de cinema ou quando sentimos uma emoção.
Christine Fontelles
Diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Estudo comprova que criança que lê mais escreve melhor
No mês passado, o "The Nacional Literancy Trust", Fundo Nacional de Alfabetização do Reino Unido, divulgou o resultado de uma pesquisa com 3 mil crianças. Eles observaram a correlação entre o engajamento das crianças com as mídias sociais e seu conhecimento da leitura e da escrita.
No resultado eles perceberam que as mídias sociais têm ajudado as crianças a se tornarem mais literatas. Além disso, a Eurostat, organização estatística da Comissão Europeia, recentemente publicou uma matéria mostrando a correlação entre educação e atividade online, que indicou que a atividade online aumentou com o nível de atividade formal (os fatores sócio-economicos estão, é claro, influenciando potencialmente).
