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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Diadema quer ser uma cidade de leitores e lança o Projeto Leitura nas Fábricas

Fundada por operários em 1960, a cidade de Diadema, na região do ABC Paulista, tem um histórico de intenças agitações políticas e culturais. Mas foi na década de 90 que se tornou conhecida mundialmente, pelos alarmantes índices de homicídios, chegando a ser considerada a cidade mais violenta do mundo. Hoje, tendo reduzido drasticamente aqueles índices e sendo a segunda maior densidade demográfica do Brasil, conta com um centro cultural e uma biblioteca municipal por bairro. No ano em que comemora seus 50 anos, Diadema quer se lançar como uma cidade de leitores, implementando novos projetos em seus equipamentos de cultura distribuídos pelos 11 bairros e oferecendo leitura em espaços alternativos. Uma das iniciativas é o Projeto Leitura nas Fábricas, que será lançado amanhã, em parceria com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e com apoio do Ministério da Cultura.

Reproduzimos abaixo informações enviadas pela Diretora de Bibliotecas, Eliana Marques.


PROJETO LEITURA NAS FÁBRICAS

1. Histórico

Em 2009, foi realizado o Seminário “A Biblioteca que queremos” e definimos como meta transformar Diadema em uma cidade de leitores e, para isso, fomos em busca de parcerias. Procuramos o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e apresentamos um projeto de Leitura nas Fábricas. Em seguida, articulamos com o Ministério da Cultura, que apoiou a ideia, doando dez kits de Pontos de Leitura contendo estantes, 650 livros, puf’s e computador.

2. Coordenação

Maria Lucineide Pimentel Guimarães, professora de Educação Infantil, Infoeducadora, formada em Pedagogia, pós-graduada em Supervisão Escolar; Maria da Penha Marques, professora, formada em Biblioteconomia; Zilma Francisca Paulina, agente de biblioteca, formada em Letras, pós-graduada em Literatura e Lingüística Textual.

3. Objetivo da Prefeitura com a elaboração do projeto


Esse projeto integra as ações da campanha “Diadema, cidade de leitores”, da Secretaria de Cultura, visando à democratização do acesso à leitura, a inclusão social e a formação de leitores.

Dentre as ações a serem realizadas estão o empréstimo de livros, cd’s, dvd’s para os trabalhadores e seus familiares, mediação de leitura e apresentações culturais no espaço.

4. Parcerias

O projeto conta com a parceria da Prefeitura de Diadema, através da Secretaria de Cultura, Ministério da Cultura, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dos Químicos e da Construção Civil.

5. Estrutura e Funcionamento do Projeto


O Sindicato articulou com as fábricas que aderiram ao projeto e cada fábrica indicou um responsável pelo funcionamento do Ponto de Leitura, que está participando de uma formação de mediação de leitura e organização de biblioteca com a equipe de coordenação do projeto. Dias e horários de funcionamento do Ponto de Leitura serão estabelecidos de acordo com a disponibilidade de cada fábrica.

A contrapartida da fábrica foi designar um trabalhador para atuar como Agente de Leitura. Sendo um funcionário da fábrica, facilitará o processo de envolvimento de todos os funcionários.


6. Capacitação para Agentes de Leitura

A formação está sendo realizada no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC – Av. Encarnação, 290 – Piraporinha, Diadema – SP, com a coordenação de Lucineide Guimarães e Penha Marques.

Composto por:

• Módulo I – Organização de Biblioteca, nos dias 17 e 18 de maio, das 9h00 às 12h00;
• Módulo II – Mediação de Leitura, nos dias 24, 25 e 31 de maio e 01 e 02 de junho, das 9h00 às 12h00.

Desde o dia 17 de maio está acontecendo o Curso de Capacitação dos Agentes de Leitura que atuarão como mediadores no Ponto de Leitura das Fábricas, com a coordenação de Lucineide Guimarães e Penha Marques. Cada fábrica indicou em média duas pessoas.

O curso tem como objetivo apresentar ferramentas básicas para o uso dos recursos informacionais e possibilitar experimentação de ações que despertem o potencial leitor dos participantes, a fim de que se tornem multiplicadores no Ponto de Leitura.

Segundo os participantes, o curso tem possibilitado o encantamento pela leitura e despertado o potencial de leitor de cada um. Além disso, as dinâmicas têm propiciado um novo olhar relacionado à leitura, ampliando a visão de mundo, enfatizando que as coisas simples da vida é que nos traz felicidade. Enfim, o grupo tem mostrado interesse e motivação para enfrentar os desafios que estão por vir.

Acreditamos que a leitura se constitui como o principal instrumento para a transformação e elevação de consciências e libertação da opressão.

7. Projeto Lei

A fim de garantir a continuidade do projeto Leitura nas Fábricas em futuras administrações, foi aprovado o Projeto Lei nº 2.972, de 30 de abril de 2010 de incentivo à leitura nas fábricas.

8. Empresas participantes


Apis Delta
Delga
IGP
Autometal
Legas
Grupo Papaiz
Uniforja
TRW
Uniferco
Metalpart

9. Lançamento do Projeto

O projeto será lançado no dia 11 de junho de 2010, às 10h00, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Av. Encarnação, 290 – Piraporinha – Diadema, com a presença do prefeito e vice de Diadema, Secretária de Cultura, autoridades da região, presidentes e diretores sindicais, representantes dos empresários, equipe do MinC, entre outros.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Leitor de Recife conta sua história de leitura

A Fascinação da Palavra
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Marcílio Medeiros, Recife, PE

Aos dez anos, deparei-me com a tarefa escolar de ler o volume 1 da Coleção Para Gostar de Ler, com crônicas de Drummond, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. Um dos textos que recordo especialmente, intitulado O Padeiro, falava da figura matinal que levava o pão à casa das pessoas, batia à porta e gritava: não é ninguém, é o padeiro. O cronista, certa vez, indaga-o: como você teve a ideia de dizer isso... então, você não é ninguém? O interlocutor dá-lhe como resposta, sorrindo e sem mágoa, que se acostumou com aquilo, ao ouvir repetidamente a empregada dizer para a dona da casa, ao ser perguntada quem é: não é ninguém, não senhora, é o padeiro.

No ano seguinte, ganhei de aniversário O Menino do Dedo Verde, do escritor francês Maurice Druon, membro da Academia Francesa de Letras e bisneto de um brasileiro, Odorico Mendes, tradutor de Homero e Virgílio.

Contava a estória do menino Tistu, que fazia brotar flores e plantas com o toque do seu dedo e, ao ter contato com a violência do mundo, passa a utilizar seu dom especial, como forma de resistência e transformação da realidade.

Foi assim que me tornei um leitor voraz. Por essa época, descobri a Biblioteca Pública de Pernambuco, na qual havia uma seção circulante que emprestava livros a quem se cadastrasse. De posse do meu cartão de leitor – que era cinza, com uma foto na parte superior e muitos quadradinhos para marcar as datas de empréstimo e devolução – passei a pegar livros sem parar. Desse modo, li tudo que encontrei pela frente de Julio Verne e Agatha Christie.

Em seguida, vieram os cronistas: os meus velhos conhecidos do livro da escola que citei acima, Lygia Fagundes Telles, Rachel Jardim, Cecília Meireles... Transitando, com curiosidade e desejo sem fim, por aquelas prateleiras de aço, logo vieram os romances e a poesia... e depois tudo junto.

Em casa, encontrei a coleção Grandes Romances Universais, formada por vinte volumes, editado pela W. M. Jackson Inc. Editores, em 1963, que tinha sido de meu pai. Como é que aquilo tudo estava ali e eu não havia reparado? E haja A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo etc., que lia, com solenidade, em volumes de capa dura. Depois, comecei a formar minha biblioteca, com livros adquiridos na Livro 7 (Recife).

Hoje, quando sentei para registrar estas reminiscências, encontrei, ao acaso, uma notícia acerca das comemorações dos 156 anos de fundação da Biblioteca Pública de Pernambuco, iniciadas dia 05 deste mês, e as memórias tornaram-se mais doces.


(escrito em 14.08.2008)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Repórter de Campinas conta sua história de leitura

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Cresci numa comunidade rural. Meus pais eram analfabetos – minha mãe trabalhava na lavoura e meu pai era domador de animais. E uma das minhas tarefas quando saia da escola era 'pastorear' as vacas e bezerras do meu pai. Eram tardes intermináveis e cansativas. E o marasmo foi amenizado com leituras. Sem ninguém para me orientar e com pouco dinheiro, comecei a comprar em sebos livros melosos como Sabrina, Bianca, entre tantos outros. E aos poucos fui tomando gosto pela leitura e comecei a incluir outras leituras, como a Coleção Vaga-Lume. Até hoje guardo em minhas lembranças As Aventuras de Xisto, entre tantos personagens que povoaram a minha adolescência.

O resultado de tudo isso é que acabei me apaixonando pela escrita e hoje sou repórter. Moro em Campinas e trabalho no jornal Correio Popular e sou colunista da BandNews FM. Tenho também um blog.
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E para estimular a leitura, como sou protestante, já montei duas bibliotecas nas igrejas que frequento. No começo, as pessoas locam apenas livros pequenos e com poucas páginas. Mas depois de um período aprendem a gostar e já não escolhem mais as leituras pelo número de páginas. Por isso, acho que os livros devem estar ao alcance de todos – sem preconceitos de títulos.
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(Rose Guglielminetti, Repórter Política do Correio Popular. Contribuição enviada por e-mail - ecoleitura@gmail.com. Para seguir Rose no twitter, clique.
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Tudo Aconteceu na Biblioteca *



Era meu primeiro dia
na biblioteca daquela cidade.
Uma linda biblioteca,
cheia de muitos livros novos e usados,
cadeiras confortáveis também,
mesas redondas bem bonitas,
ali combinava bem.
Computadores e um povo que atende bem,
Pois o bibliotecário
foi logo me dizendo:
no que posso lhe servir?
Eu olhei de um jeito esperto
lhe falo pra ser sincero/
Quero ler o livro O poeta do povo
Vida e Obra de Patativa do Assaré
do autor Assis Ângelo.
Ele logo me atendeu
e agora aqui estou eu
lendo com satisfação
o poeta do Sertão Nordestino
que merece desde cedinho
tornar disciplina na Grade Curricular
nas escolas do Ceará .

No dia seguinte bem cedo
Em mais uma pesquisa a realizar
procurei o mesmo cidadão
pro livro me emprestar
Mas para minha tristeza
o livro ali na estante não está ,
Ele foi logo me dizendo
isso é o povo que esconde
pra ninguém poder pegar
De repente lhe respondi:
_ Que isso é covardia
com o pesquisador também.

Fui pra casa matutando:
um dia sem leitura
é um atraso para danar.
Mas ao chegar no dia seguinte
o livro pude encontrar,
passei o dia inteirinho ,
mas não pude concluir a pesquisa espetacular
pois a biblioteca tinha que fechar.
Daí imaginei , isso é de danar.
Tenho que da covardia usar,
colocar o livro em outra estante,
pra ninguém encontrar.
E no dia seguinte bem cedo,
a pesquisa completar.
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* Maria Laudecy Ferreira, psicopedagoga, atua nas redes pública e privada no Estado do Ceará. Autora da Coleção Aprender Fazendo - livros didáticos e paradidáticos adotados em território nacional -, do qual o texto acima faz parte. Contribuição enviada por e-mail. ecoleitura@gmail.com
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Prazer de ler e escrever em grupo

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Acredito que para desenvolver o interesse das crianças e adolescentes pela leitura e escrita, o (a) educador (a) tem que transmitir sua paixão pela literatura e a escrita, contagiando-nos.

Nesse ano de 2009, desenvolvi um Projeto piloto: O Prazer de ler e escrever em grupo, com o objetivo de instigar e desenvolver o gosto pela leitura e escrita, proporcionar a troca de experiência entre os alunos dentro do contexto literário e social e construir uma relação humana entre todos os envolvidos.

Através do Projeto O Prazer de ler e escrever em grupo, comprovei que essa mobilização literária é possível, que os alunos e as alunas se interessam e se sentem atraídos pela literatura, quando é incentivado e apresentado o mundo literário de maneira dinâmica, criativa e os provoque no desenvolvimento da escrita individual e coletiva.

Também constatei um dado negativo: hoje temos muito acesso a informação, conhecimento científico e obras literárias riquíssimas, porém poucos estudantes leitores, que, em alguns casos (em relação às crianças e os adolescentes) não sabem interpretar, compreender e fazer uma análise crítica dos textos.

Acredito que nesse trabalho foram semeados novos leitores e quem sabe futuro escritores literários.

Sendo assim, deixo a minha esperança que podemos contagiar novos leitores e escritores da nossa nova história do Brasil da literatura.
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(Flaviana R. Bezerra, professora da Rede Estadual de Ensino em Natal, RN. Contribuição enviada por e-mail)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A palavra é jovem: o que os estudantes andam dizendo (I)

Quando cursava o ensino médio, na E. E. Professora Cynira Pires dos Santos, em São Bernardo do Campo (SP), Filipe Nério de Oliveira participou de um projeto de incentivo à leitura. Em 2007, foi desafiado, no mesmo projeto, a ler em grupo o monumental Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. De lá para cá, o jovem, agora um dedicado universitário, que também trabalha como mediador de leitura, não para de ler e escrever. Abaixo, a surpresa de um texto (resumido) que ele nos mandou por e-mail, contribuindo para nossas histórias de leitura.
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O Transeunte dos Gerais - Memórias e questões sobre Grande Sertão: Veredas
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Certa vez, fiz-me de transeunte nos descontornos da vereda humana. De tudo se encontra nesses lugares: caminhosinhos. O senhor sabe. É diabo no meio do redemoinho. O menino Jesus debaixo de uns couros de cabra. Coisisses...
Às vezes me pego no pensar, dentro de meus esmos... É sertão senhor. O misturado, o vertido, o dentro e o fora. Contradição não há.
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Há de! Que questão é essa de sofrer de se pagar pecado por maldade mal resolvida? E se sofrimento é negócio tratado de cordeiro, por que é que ele sai andando sertão a fora com os pés sobre os cascos? O senhor tolere. Isso é sertão. É diabo na rua, sofrendo feito gente. O senhor vê? Até cordeiro é acusado de acusações. Mas o diabo, capiroto, o que o diga, não escapole de acusação não. A gente é querente, quer justiça.
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Nesse sertão, vida de gente vai muito mais além desses errados e certos. Mas a morte pede da gente alguma certezasinha. A gente se coloca a pensar nas coisas todas, de perguntar a esmos e mesmos, passados a trinta léguas de distâncias da vereda d’ hoje.
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Donde é que vem tanta bondade e ruindade?
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Onde é que agente pisa?
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A gente cá pensando... Se ser tivesse sido, paraíso seria. Se ser não sesse, então haveria de ser sertão. Então, a gente sendo o não sendo, não seria mais como se sesse? Ai de! Mas aí nem Deus, nem diabo é. Digo: não estou descrendo da palavra do Senhor! O senhor me conhece e sabe disso. É só duvida de Jagunçagem. Aquelas águas passadas... Vida minha ao Senhor pertence!
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Compadre meu Quelemém me sugere: Sertão é existir o de dentro. Gente forasteira, de cidades há de dizer o que eu disse – “O sertão é o nada a muitos quilômetros de distância” – Lá nada existe, nada vezes. Agora, aqui com o senhor estou sendo e vendo – O sertão é o nosso existir. O O Sertão é pulsante. Ser Tão. O senhor percebe? Na verdade se acanha no medo de se afogar dentro do si mesmo... Nosso Urucuia de dentro da gente.
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Quem é pai de homem humano sabe: Se a gente humana amar, a gente acaba por acordar Deus, e então haveria de ser bondoso no trilhar de veredas. A gente não escolhe. A gente só convive com essas coisas-confusas. O sertão é essa fome. O sertão tem fome de tudo. E de repudiar profundo esse sentimento que atravessa a gente feito quicé. Daí, Deus e diabo almejam mira na gente. Viajam dentro de nós, tentando por demais matar a fome que passaram a sentir. O senhor sabe. A gente tem um fruto. Aquele de buriti.
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Essa morte sertaneja vem "aridando" os meus esmos. Quem é que salva a gente? Lembrei de olhares, um era especial. O das folhudas pestanas... O senhor recorda? Diadorim. O confuso deixava de ser confuso, as coisas voltam as suas levezas, de dor não carecia mais. O peso de ser, as araras coloridas na lagoa suçuarana. A existência de ser, os buritis à beira do São Francisco. Diadorim me fez Buriti. Na meia estação, meus frutos mergulham profundamente naquele rio da travessia. Me fiz retorno no contar. Cavei raízes. Deixei meus frutos a navegar no rio que partiu minha vida em dois extremos. O diabo na rua. Deus em tudo.
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(Quer publicar aqui o que seus alunos - de todas as idades - andam dizendo? Envie para nós: ecoleitura@gmail.com)
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pela difusão dos livros

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Roberto Tanaami integra a diretoria da Associação Metodista de Ação Social e preside a Federação de Entidades do Bem Estar Social de São Bernardo do Campo. Abaixo, sua contribuição, enviada por e-mail.
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Diariamente são publicados vários novos livros, mas não chegam às mãos de quem realmente precisa: as pessoas mais carentes de recursos, que deveriam ter maior acesso aos livros para uma formação moral e cívica.

Certa vez recebi de uma empresa vários livros que havia solicitado em doação, para a Creche onde presto serviço voluntário, mas o que recebi foram livrinhos não apropriados à leitura de crianças da mais tenra idade.

A minha sugestão é que sejam incentivadas empresas a usarem da Lei Rouanet no financiamento de livros, principalmente àqueles que podem contribuir na formação do caráter das pessoas, e que fossem colocados em bibliotecas públicas (embora estas, pelo visto, têm sido pouco visitadas), nos presídios, que fosse estimulada a criação de bibliotecas circulantes nos bairros, usando as instalações de clubes de mães e associações de bairro, das igrejas...

(Não seria somente doar os livros, mas que essas entidades tivessem interesse em formar, em cuidar dos livros).

terça-feira, 17 de novembro de 2009

E quando "quem manda" sabota a leitura?

Contribuição de uma professora, enviada por e-mail. Por razões óbvias, não revelaremos sua identidade. Infelizmente, certas mazelas no âmbito educacional às vezes forçam o educador a se manifestar anonimamente.

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Na minha escola, as crianças adoram ler. Trabalhei algum tempo na biblioteca escolar e, de Chapeuzinho Vermelho a Saci Pererê, eu me vesti, para incentivar a leitura. Foi um sucesso.

Pena que este ano não pude desenvolver o trabalho com precisão, pois nossa coordenadora não acha importante o trabalho de leitura numa escola pública. Ação absurda! Mas ela, que é coordenadora indicada, sem preparo pedagógico, é quem manda.

Mesmo assim, não desisti! “Leio para me preparar e concorrer”. Esta frase é bem vivida pelas nossas crianças. A escola é na periferia, mas com crianças inteligentes, e hoje estou feliz com a realização de um projeto.

Salvar o Brasil do analfabetismo, só mesmo desenvolvendo a leitura...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Da formação permanente de leitores

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Contribuição da professora Rosane Mari dos Reis, de Joinvile (SC), enviada por e-mail ao moderador. Rosane participa do 1º Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade com o projeto "Land Art: a criança na terra fazendo arte".
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De que adianta oferecer livros por todas as partes, se gerações passam umas após as outras sem aprender a gostar de ler? A resolução deste problema se inicia na base da educação da primeira infância, onde os professores da educação infantil devam promover momentos diários de prazer lúdico que envolvam atividades de leitura e contação de histórias. No entanto, este tipo de intervenção não pode se restringir à educação infantil. Tem que continuar por toda a vida escolar da criança, até que ela própria sinta a necessidade de buscar as leituras que lhe dêem prazer e lhe façam crescer cultural e intelectualmente.
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Trabalhei por dois anos como coordenadora de uma biblioteca escolar e uma coisa que me deixava angustiada era ver a mudança que acontecia quando as crianças passavam da 4ª para a 5ª série. Até então, amavam as leituras, as contações de história, levavam livros para casa, enfim. Não sei o que acontecia, parece que depois as professoras não mais as viam como crianças e por isso não mais permitiam que a ludicidade continuasse a fazer parte deste momento tão especial que era a aula de leitura. Daí então os livros eram indicados e sobre eles eram cobrados fichas, resumos, resenhas... E transformados em objetos de "chatices", como diziam as próprias crianças.
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Tão importante quanto oferecer espaços de leitura é observar a quantas andam as providências nas escolas para a formação permanente de leitores espontâneos e entusiasmados.
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