terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Universidade Aberta oferece curso de mediador de leitura


Ionice Lorenzoni -MEC, 13 de janeiro de 2010
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Professores das redes públicas de educação básica de estados e municípios já podem fazer a pré-inscrição para o curso de formação continuada de mediadores de leitura. É um curso de extensão, na modalidade a distância, com 90 horas e duração de três meses.
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Para o primeiro semestre deste ano, são oferecidas 2.890 vagas em 59 polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB), sob a responsabilidade de oito instituições públicas de ensino superior das regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
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De acordo com Elaine Cáceres, da diretoria de políticas de educação de jovens e adultos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do MEC, o curso será ministrado com apoio de materiais didáticos criados pelas universidades exclusivamente para o curso. Ampliar as possibilidades de trabalhar a leitura na sala de aula e nos ambientes da escola, ampliar os conhecimentos sobre os gêneros literários e aprofundar a compreensão do papel da leitura no desenvolvimento humano estão entre os objetivos desta ação.
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Os temas a serem abordados no curso são linguagem e cultura, leitura de linguagens verbais e não verbais (cinema, teatro, música, dança, fotografia, arquitetura, hipermídia, cibercultura), textos literários e como trabalhar a leitura com diversos públicos – crianças, jovens, adultos e idosos.
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Plataforma Freire – Os educadores fazem a pré-inscrição na Plataforma Freire, onde também escolhem o pólo mais próximo da residência ou do local de trabalho. Depois disso, as secretarias de educação estaduais ou municipais analisam e validam a inscrição e informam relação de nomes para as universidades. A previsão é que os cursos tenham início em março próximo.
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Tabela de vagas e instituições que oferecem o curso:
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Instituição........Número de Vagas........Número de polos
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UFMS......................210.............................3
UFRPE....................150.............................3
IFCE........................120.............................4
UFMA.....................360.............................6
UPE.........................200.............................4
UNESP.................1.020...........................17
FURG......................200.............................4
UFRGS....................630...........................18
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Mais do que dar dinheiro a pobres, é preciso educar, afirma Heckman

O GLOBO – 20.12.09

Autor(es): Agencia O Globo


Para o americano James Heckman, de 65 anos, prêmio Nobel de Economia de 2000, é preciso fazer mais do que mandar crianças para a escola a partir dos 6 anos de idade. Segundo ele, enquanto não se der maior atenção à primeira infância — de zero a 3 anos —, em especial nas famílias carentes, as desigualdades socioeconômicas continuarão se perpetuando.

Em visita ao Rio semana passada, ele explicou a sua tese ao GLOBO.

José Meirelles Passos O GLOBO: De acordo com as suas pesquisas, o nível de renda de uma pessoa, o seu êxito no trabalho, e até mesmo a possibilidade de que venha a cometer um crime estão associados à educação que ela teve logo na primeira infância e aos estímulos recebidos — ou não — de seus pais. Ou seja, quem não teve bons pais está condenado ao fracasso?

JAMES HECKMAN: Sim e não. Sim, no caso de não ter tido, a tempo, algum tipo de ajuda externa que possa remediar a situação. E não, se foi beneficiado com um auxílio desse tipo com base num programa bem estruturado.

O GLOBO: O senhor se refere a algum programa público?

HECKMAN: Pode ser privado. Mas eu acho que tal responsabilidade cabe, primeiramente, ao governo. Todo cidadão tem direito à saúde e à educação. Mas, no geral, o Estado acha que basta cuidar das pessoas a partir dos 6 ou 7 anos, colocando-as na escola. Sabemos cientificamente que deve-se dar atenção a elas com maior ênfase antes dos 3 anos de idade. E, de preferência, desde a sua concepção.

O GLOBO: Isso, então, implicaria cuidar também da saúde das mães...

HECKMAN: Exatamente. E em especial de sua nutrição. E depois, quando nasce o bebê, oferecer à família um programa que ensine os pais a serem pais de verdade. Que aprendam a estimular as crianças, lendo para elas, expondo-as à música, aos jogos, participando de brincadeiras, de atividades lúdicas.
O GLOBO: Isso quer dizer que o ideal é criar um programa específico para os pais?

HECKMAN: Para os pais e para as crianças. Ensinar aos adultos a serem pais melhores, e dar às crianças condições de adquirirem a vantagem que as demais, de famílias mais bem educadas, já têm de nascença. Pois é isso que faz a diferença. É isso que causa a grande divisão entre os que têm e os que não têm boas chances na vida. É preciso ensinar interação às famílias carentes; implantar um programa que possa transformar a capacidade social e emocional de toda a família.

O GLOBO: O senhor já constatou isso na prática, não?

HECKMAN: Sim. Criamos um programa de quatro anos (1961-1965), com um grupo de 123 crianças de idade pré-escolar numa cidade em Michigan. Cada classe tinha de 20 a 25 alunos, com 3 ou 4 anos de idade. As aulas eram diárias e duravam duas horas e meia. Ali as crianças eram estimuladas a interagir com as outras.

O GLOBO: Os pais delas participavam do programa?

HECKMAN: Dávamos apoio especialmente às mães, pois são elas que passam mais tempo com os filhos. As professoras visitavam as casas delas uma vez por semana e ficavam lá durante uma hora e meia, conversando, fazendo com que as mães se envolvessem no processo de educação dos filhos. As professoras também tinham o cuidado de ajudar em quaisquer outros problemas familiares.

O GLOBO: E os resultados?

HECKMAN: Eles comprovaram as nossas expectativas de que os cuidados intensos antes dos 3 anos de idade são essenciais para o bem-estar futuro de todos. Temos certeza disso porque, ao final daqueles quatro anos, cada família continuou tocando a vida por conta própria. Mas continuamos acompanhando o seu desenvolvimento, registrando o seu cotidiano. Aquelas crianças estão com 50 anos agora.

O GLOBO: Uma coisa é fazer uma experiência com um grupo pequeno; outra é implantar um programa que atinja famílias carentes em todo o país. Isso seria factível? Não seria muito caro um projeto desses?

HECKMAN: É claro que é possível implantar algo desse tipo em larga escala. E, sim, isso exige grandes investimentos. Mas eles dão um retorno fabuloso. A experiência mostrou que, para cada dólar aplicado, a sociedade ganhou nove. É preciso ter consciência de que a família tem um papel fundamental no bem-estar de uma sociedade. E, portanto, uma boa política de família acaba se tornando, na prática, uma boa política econômica.

O GLOBO: Pelo visto não bastaria apenas um plano específico na área da educação. Ele teria de envolver outros setores do governo, não?

HECKMAN: Trata-se, na verdade, de um programa integrado. Não pode haver boa educação sem que se cuide, ao mesmo tempo, da saúde. E não se pode bancar iniciativas nessas duas áreas sem uma boa política econômica. A questão central, que temos de fazer hoje, é a seguinte: qual é a maneira mais efetiva de se promover grandes realizações e reduzir a desigualdade? E a resposta é basicamente uma só, sejam quais forem as iniciativas a serem tomadas: é preciso educar no sentido completo, fundamental.

O GLOBO: Num país como o Brasil, em que os bolsões de pobreza ainda são grandes, a perspectiva de um grande número de famílias estar criando filhos para o fracasso parece se perpetuar, uma vez que os pais também são originários de famílias de educação baixa?

HECKMAN: Não necessariamente. É certo que um baixo índice de paternidade, ou seja, quando se tem pais que não tiveram uma educação adequada, a tendência é de que as gerações seguintes — salvo algum milagre — perpetuem esse ciclo. Por isso mesmo é preciso conscientizar a todos, e em especial aos governos, de que a atual noção de pobreza está mal definida.

O GLOBO: Como assim?

HECKMAN: Em geral se aceita o conceito de que pobreza é falta de renda. E, por isso, há governos que acham que dar mais dinheiro aos pobres resolve o problema. O essencial, a esta altura, é perceber a necessidade de se fazer mais do que isso: é preciso educar.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ler um livro é preferência entre hábitos culturais no Brasil

João Augusto - Agência Brasil Que Lê - 26/11/2009
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Essa foi a resposta dada por 65% dos entrevistados que fazem algum tipo de atividade cultural, conforme dados da pesquisa “Perfil do consumo de cultura do brasileiro”, realizada pela Fecomércio-RJ em parceria com a Ipsos Public Affair. O objetivo era analisar os hábitos de lazer relacionados com cultura, como ir a um show de música, ao teatro, ao cinema, ler um livro ou apreciar um espetáculo de dança.
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O dado negativo é que essa maioria que afirmou preferir a leitura está dentro de uma minoria de 43% dos entrevistados que disseram ter atividades culturais por hábito. Para mais da metade dos brasileiros (57%), ir a um teatro ou ler um livro está distante da realidade do dia a dia, ou por falta de conhecimento ou pelo simples fato de não gostar. O estudo refere-se ao ano de 2008, num comparativo a 2007. Foram visitados mil domicílios de 70 cidades, incluindo nove regiões metropolitanas.
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A pesquisa também revela outro dado preocupante: 19% dos entrevistados não gostariam de fazer nenhuma das atividades culturais citadas. Entre os que fazem e gostam, a quantidade de livros lidos, de espetáculos, danças, exposições e filmes vistos ainda é considerada baixa. O estudo apontou que a média de livros lidos é de 5,1 por ano. Já os apaixonados por cinema assistiram a filmes apenas 4,1 vezes. Os fãs de músicas foram a 3,8 shows, enquanto os amantes da dança apreciaram 3,5 eventos. As exposições de arte ficaram em último lugar na preferência cultural do brasileiro, com 2,1 visitas.
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É o bastante
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Apesar dos dados, os entrevistados afirmaram que ler 5,1 livros por ano ou ir a um show de música 3,8 vezes é suficiente. E qual é o limite justo a se pagar por essas atividades ou bens culturais? O livro, que tem a preferência dos brasileiros, ficou com o maior valor: R$ 20,00. Os que preferem música afirmaram que pagariam até R$ 17,00 por um show. Depois vem o teatro, R$ 16,00; a dança, R$ 14,00; as exposições, R$ 13,00. Também é R$ 13,00 o valor considerado justo por um DVD. Já o preço de um CD não poderia ultrapassar os R$ 10,00.
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Mulheres leitoras
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Os números referentes a livros apontados pela pesquisa têm um fator determinante: as mulheres dão mais valor à leitura que os homens. Dentro da média de 5,1 livros lidos em 2008, elas leram 5,5 enquanto eles, 4,7. O percentual que acha esse número suficiente, ou seja, que considera que não é preciso ler mais, é menor entre as mulheres, 52% contra 53% dos homens. Ao responderem à seguinte questão: Por ordem de preferência, o que você mais gosta de fazer?, 69% das mulheres disseram que preferem ler um livro, contra 61% dos homens. E para 2009, o que pretendiam fazer? Elas também deram prioridade à leitura, com 45% dos votos, enquanto 41% dos homens escolheram os livros.