segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Como era chato antes do Sítio!

“O bicho-de-cozinha deitou água na caçoula atestada de beldroegas e, asinha, partiu na treita dos três mariolas”...* Textos como esse, com os quais as crianças eram forçadas a se alfabetizar, é que impulsionaram Monteiro Lobato a escrever para elas à partir de 1920.



Um bom texto literário há de agradar a crianças e adultos. A diferença é que há livros que as crianças não entendem e, por isso, requerem textos mais acessíveis. Autores asseguram que escrever “para crianças” exige o mesmo empenho de escrever “para adultos”.
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Crianças que lêem com seus pais têm maior probabilidade de se tornarem leitores competentes. Relacione as histórias lidas com coisas e fatos da vida da criança.

Compartilhe conosco suas histórias de leituras junto aos pequeninos. Suas palavras não podem ficar de fora do texto coletivo sobre leitura a ser enviado ao Senado Federal!




*Recordações do cronista Afonso Schimidt, citado em Monteiro Lobato: Furacão na Botocúndia , a biografia mais completa de Monteiro Lobato, escrita por Carmen Lucia de Azevedo, Márcia Camargos e Wladimir Sachetta. Editora Senac.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Livros vendidos no sistema porta a porta

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Além do número de livros vendidos (13% das vendas em todo o Brasil), a reportagem chama a atenção pelo apreço que clientes têm pela explicação minuciosa dos vendedores. Será que não faltaria o mesmo cuidado, em muitas bibliotecas e livrarias? Fica ainda o questionamento sobre o tipo de informação repassada e a qualidade dos livros distribuídos nesse sistema. A boa aceitação dos leitores merece ser pensada como uma via alternativa de incentivo à leitura de qualidade.
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Digitalização do maior acervo particular do Brasil

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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Da qualidade e do uso de bibliotecas (III)

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Embora exista clara demanda local por leitura e por bibliotecas, nem sempre esta demanda é explícita e bem organizada. Assim, é fundamental que, ao se implantar uma biblioteca, a comunidade seja estimulada e mobilizada para refletir sobre sua importância. A sensibilização e a conscientização da comunidade a respeito da disponibilidade e importância do novo serviço comunitário deverá estimular o interesse pela leitura e, daí, uma maior utilização da biblioteca.
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Em suma, procuramos demonstrar que, embora seja impossível obter uma biblioteca eficaz sem um acervo de qualidade e infra-estrutura adequada, esses fatores não são suficientes para garantir a eficácia. Uma série de ações complementares são absolutamente vitais. Essas ações visam promover a adequação dos serviços oferecidos às necessidades da comunidade e promover a utilização intensiva dos serviços oferecidos.
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Quatro ações merecem especial destaque:
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(i) formação profissional, em particular no que se refere ao atendimento pró-ativo dos usuários via promoção e divulgação de atividades de leitura; (ii) intercâmbio de experiências entre bibliotecas, promovendo, desta forma, a difusão de boas práticas e inovações; (iii) promoção e difusão do hábito de leitura na comunidade e (iv) conscientização da população local sobre a importância da biblioteca e da preservação de sua qualidade, atualização do acervo, manutenção da infra-estrutura e formação continuada dos funcionários.
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Ricardo Paes de Barros e Mirela de carvalho
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Da qualidade e do uso de bibliotecas (II)

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A biblioteca, entretanto, pode alcançar níveis de utilização bem mais elevados se for capaz de atrair novos usuários, isto é, se conseguir converter não usuários em usuários. Nesse caso, o estímulo à demanda não pode se limitar a atender os que já procuram a biblioteca. O sucesso dependerá da divulgação das atividades na comunidade e, acima de tudo, da adequação dessas atividades aos interesses locais.
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A devida qualificação dos funcionários é um fator chave.
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Embora a utilização de profissionais com boa formação inicial seja vital, inovações e formas criativas de interagir com a comunidade e estimular sua utilização da biblioteca estão sendo constantemente criadas em milhares de bibliotecas espalhadas pelo território nacional. Assim, é fundamental conectar as bibliotecas em rede. Ao contrário de outros serviços sociais, as bibliotecas são, via de regra, serviços bem mais especializados, naturalmente isolados, que necessitam estar conectados em rede.
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A qualidade dos serviços oferecidos não é estaticamente definida no momento da inauguração. Sem manutenção, inovação, reformas, reformulações e expansões do acervo e a qualificação continuada dos funcionários, a qualidade dos serviços oferecidos pode rapidamente se deteriorar. Como em todos os demais serviços sociais, a sustentabilidade das bibliotecas requer atenção especial.
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Ricardo Paes de Barros e Mirela de Carvalho
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Da qualidade e do uso de bibliotecas (I)

Os equipamentos e livros são absolutamente necessários ao bom desempenho de uma biblioteca, mas não o garantem.
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Em estudo avaliativo do "Projeto Bibliotecas Comunitárias Ler é Preciso", desenvolvido por nós desde 2007, encontramos evidências importantes quanto à relação entre o grau de utilização das bibliotecas e o impacto do serviço. Ter apenas biblioteca não gera qualquer impacto. Este depende completamente do grau de utilização do serviço. De fato, enquanto o desempenho educacional dos alunos em escolas com e sem bibliotecas não é muito distinto, existe um enorme diferencial de aprendizado entre os alunos em escolas com bibliotecas intensamente utilizadas e em escolas com bibliotecas de baixa utilização.
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O impacto de uma biblioteca com boa infra-estrutura, acervo amplo e selecionado, que promove amplo leque de atividades de leitura, oferece clara orientação e atendimento adequado a seus usuários, pode ser mais de duas vezes maior que o de uma biblioteca com qualidade limitada e atendimento inadequado.
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Vale chamar a atenção para o duplo efeito da qualidade e adequação dos serviços. Por um lado, elas aumentam o impacto de forma direta (bons serviços têm mais efeito sobre a leitura, o protagonismo ou outros resultados de interesse). Por outro lado, induzem uma maior utilização da biblioteca: quanto maior a qualidade e adequação dos serviços, mais os usuários se sentirão motivados a utilizar a biblioteca.
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(Ricardo Paes de Barros e Mirela de Carvalho)
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pela difusão dos livros

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Roberto Tanaami integra a diretoria da Associação Metodista de Ação Social e preside a Federação de Entidades do Bem Estar Social de São Bernardo do Campo. Abaixo, sua contribuição, enviada por e-mail.
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Diariamente são publicados vários novos livros, mas não chegam às mãos de quem realmente precisa: as pessoas mais carentes de recursos, que deveriam ter maior acesso aos livros para uma formação moral e cívica.

Certa vez recebi de uma empresa vários livros que havia solicitado em doação, para a Creche onde presto serviço voluntário, mas o que recebi foram livrinhos não apropriados à leitura de crianças da mais tenra idade.

A minha sugestão é que sejam incentivadas empresas a usarem da Lei Rouanet no financiamento de livros, principalmente àqueles que podem contribuir na formação do caráter das pessoas, e que fossem colocados em bibliotecas públicas (embora estas, pelo visto, têm sido pouco visitadas), nos presídios, que fosse estimulada a criação de bibliotecas circulantes nos bairros, usando as instalações de clubes de mães e associações de bairro, das igrejas...

(Não seria somente doar os livros, mas que essas entidades tivessem interesse em formar, em cuidar dos livros).

terça-feira, 17 de novembro de 2009

E quando "quem manda" sabota a leitura?

Contribuição de uma professora, enviada por e-mail. Por razões óbvias, não revelaremos sua identidade. Infelizmente, certas mazelas no âmbito educacional às vezes forçam o educador a se manifestar anonimamente.

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Na minha escola, as crianças adoram ler. Trabalhei algum tempo na biblioteca escolar e, de Chapeuzinho Vermelho a Saci Pererê, eu me vesti, para incentivar a leitura. Foi um sucesso.

Pena que este ano não pude desenvolver o trabalho com precisão, pois nossa coordenadora não acha importante o trabalho de leitura numa escola pública. Ação absurda! Mas ela, que é coordenadora indicada, sem preparo pedagógico, é quem manda.

Mesmo assim, não desisti! “Leio para me preparar e concorrer”. Esta frase é bem vivida pelas nossas crianças. A escola é na periferia, mas com crianças inteligentes, e hoje estou feliz com a realização de um projeto.

Salvar o Brasil do analfabetismo, só mesmo desenvolvendo a leitura...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Música "Brincar de ler" (Palavra Cantada)


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Da formação permanente de leitores

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Contribuição da professora Rosane Mari dos Reis, de Joinvile (SC), enviada por e-mail ao moderador. Rosane participa do 1º Prêmio Ecofuturo de Educação para a Sustentabilidade com o projeto "Land Art: a criança na terra fazendo arte".
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De que adianta oferecer livros por todas as partes, se gerações passam umas após as outras sem aprender a gostar de ler? A resolução deste problema se inicia na base da educação da primeira infância, onde os professores da educação infantil devam promover momentos diários de prazer lúdico que envolvam atividades de leitura e contação de histórias. No entanto, este tipo de intervenção não pode se restringir à educação infantil. Tem que continuar por toda a vida escolar da criança, até que ela própria sinta a necessidade de buscar as leituras que lhe dêem prazer e lhe façam crescer cultural e intelectualmente.
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Trabalhei por dois anos como coordenadora de uma biblioteca escolar e uma coisa que me deixava angustiada era ver a mudança que acontecia quando as crianças passavam da 4ª para a 5ª série. Até então, amavam as leituras, as contações de história, levavam livros para casa, enfim. Não sei o que acontecia, parece que depois as professoras não mais as viam como crianças e por isso não mais permitiam que a ludicidade continuasse a fazer parte deste momento tão especial que era a aula de leitura. Daí então os livros eram indicados e sobre eles eram cobrados fichas, resumos, resenhas... E transformados em objetos de "chatices", como diziam as próprias crianças.
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Tão importante quanto oferecer espaços de leitura é observar a quantas andam as providências nas escolas para a formação permanente de leitores espontâneos e entusiasmados.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Mona Dorf entrevista Christine Fontelles - Diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo


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Primeiros estímulos para a leitura do mundo

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O universo que habitamos é a própria linguagem. Quanto mais belo for o uso da palavra, mais encantado e amplo será o mundo. É nossa responsabilidade responder com beleza às crianças, contando histórias, fabulando, inventando hipóteses, propondo questionamentos lúdicos...
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Para refletir:
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Aos três anos de idade, uma criança de família de baixa renda ouviu 30 milhões de palavras a menos que uma criança de uma família mais favorecida.
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Como podemos contribuir para a reversão desse quadro nas comunidades em que atuamos? Eis um ponto que merecerá destaque no nosso texto coletivo...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

10 dicas para brincar de ler

Pequeno vídeo com 10 dicas de incentivo à leitura no âmbito familiar. Realizado pela Kaiah Comunicação e Design, à partir do Passaporte da Leitura Brincar de Ler.

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Recentemente, o senador Cristovam Buarque declarou, no Twitter, que ele e a esposa brincam de esconder livros pela casa, para que a netinha, brincando de encontrá-los, se torne íntima do objeto.

Certamente há centenas de outros estímulos para este objeto brincante - e apostamos que vocês já inventaram ou se valeram de algum!

Qual a sua dica? Compartilhe suas experiências, para que no texto final haja uma soma de alternativas!

Uma lição para crianças e adultos



-"Num lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar, vivia, não há muito, um fidalgo dos da lança em cabido, adarga antiga e galgo corredor".

-Ché! - exclamou Emília. -Se o livro inteiro é nessa perfeição de língua, até logo! Lança em cabido, adarga antiga, galgo corredor... Não entendo essas viscondadas, não... Pois se lança é um pedaço de pau com um chuço na ponta, pode ser "lança atrás da porta", "lança no canto" - mas "no cabido", uma ova! Cabido é de pendurar coisas, e pedaço de pau a gente encosta, não pendura.

E Dona Benta começou, da moda dela:

-Em certa aldeia da Mancha (que é um pedaço da Espanha), vivia um fidalgo, aí duns cinquenta anos, dos que têm lança atrás da porta, adarga antiga, isto é, escudo de couro, e cachorro magro no quintal - cachorro de caça.


(Monteiro Lobato, Dom Quixote das Crianças)


Quanto a nós: temos feito, diariamente, a vez de Dona Benta? Relatemos aqui nossas histórias de leituras com as crianças. Começa agora a escrita coletiva de uma história, rumo ao Senado!



*Ilustração de Pablo Picasso